sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Mihaly Csikszentmihalyi: o cara que me compreendeu! ;)



“The best moments in our lives are not the passive, receptive, relaxing times… The best moments usually occur if a person’s body or mind is stretched to its limits in a voluntary effort to accomplish something difficult and worthwhile.” 
~ Mihaly Csikszentmihalyi (1990, p. 3)



Quando li o texto de Mihaly Csikszentmihalyi sobre a Criatividade e o Estado de Flow, pirei! Disse a mim mesma: "Como não conheci esse cara antes, meu Deus?! Quanto tempo perdido!" ;)

O que é o estado de flow

Um dos participantes da pesquisa respondeu com um exemplo de Flow na área de música: “Você fica em um estado de êxtase de tal modo que sente que nem sequer existe mais. Eu vivi isso várias vezes. Minha mão parece mover independente de meu corpo, e eu não tenho a menor interferência no processo. Eu apenas fico lá, assistindo em fascínio. E a música apenas flui.”

Esse estado mental que nos dá a impressão de não estarmos mais na nossa realidade mundana é ideal. Quando pensamos em grandes civilizações como os chineses, hindus, maias ou egípcios, o que sabemos é sobre seu êxtase, mas não sobre sua vida do dia a dia. Sabemos sobre seus circos, teatros, arenas, pirâmides… esses são os locais onde as pessoas iam para experimentar um tipo de vida além do ordinário.

No caso do músico citado acima, ele não precisava de uma arena física, mas ele tinha a sua arena mental. Ele não precisava se locomover, bastava um papel onde poderia compor e imaginar sons que não haviam até então sido combinados naquela forma especial.

Nosso sistema nervoso não pode processar mais do que uma certa quantidade de dados por segundo. Quando estamos realmente envolvidos em um processo completamente engajado de flow, ele não tem muita capacidade de monitorar como seu corpo está se sentindo, se está com fome, cansado ou mesmo pensar em seus problemas mundanos de casa e burocracias. Assim, a existência é suspensa temporariamente.

Ele também relata que parece que a mão está se movendo sozinha. No caso, esse processo automático e espontâneo somente surge quando o profissional é muito bem treinado e talentoso. É dito que são necessários 10 anos para alcançar um ponto de excelência, como bem descrito no livro Fora de Série de Malcolm Gladwell.

No campo da poesia, Mihaly traz uma nova citação: “É como abrir uma porta que estava flutuando no meio do nada e a única coisa que você precisa fazer é abrir e se permitir mergulhar no que existe adiante. Você não pode se forçar a passar por ela. Você simplesmente precisa flutuar. Se existe algum tipo de força gravitacional, é do mundo de fora que tenta manter você do lado de fora”.

É também um processo espontâneo e sem esforço consciente. Uma descrição parecida como quando Einstein descreveu o processo de entender e descobrir o processo de relatividade.

 

Como o estado de flow é atingido

Nas pesquisas de Mihaly entrevistando alpinistas, monges, pastores e uma variedade enorme de pessoas com diferentes níveis de educação e cultura, existem elementos comuns que indicam o que é estar no estado de flow:
  1. Completamente envolvido no que se está fazendo: com foco e concentração
  2. Um sentimento de êxtase, de estar fora da realidade do dia a dia
  3. Uma maior claridade interna, sabendo o que deve ser feito e quão bem estamos fazendo o que deve ser feito. Temos feedback imediato
  4. Saber que a atividade é possível, que nossas habilidades são adequadas para a tarefa
  5. Um sentimento de serenidade, sem preocupações e um sentimento de estar crescendo além dos limites do ego
  6. Uma idéia de estar além da dimensão temporal, totalmente focado no momento presente. As horas parecem passar como se fossem minutos
  7. Motivação intrínseca, seja qual for o elemento que produz o flow é a nossa própria recompensa  

Hedonismo traz felicidade?

Mas e com relação a assistir televisão, uso de entorpecentes e dormir? Não são atividades que geram prazer?
Apesar destas atividades serem prazerosas, elas envolvem pouca determinação e força de vontade consciente. Assim, não promovem nosso crescimento. O desafio é muito baixo e portanto essas atividades de puro prazer que exigem pouca habilidade nos levam ao relaxamento, tédio ou, pior: apatia.

Infelizmente, é mais fácil encontrar prazer em atividades como sexo, comer e fazer dinheiro, porque essas atividades estão em sintonia com nosso estado psicológico primitivo estabelecido há muito tempo atrás. É muito mais difícil encontrar prazer em coisas que foram recentemente descobertas em nosso processo evolutivo como manipulação dos sistemas simbólicos, ciência e poesia, por exemplo. Mas são essas coisas que trazem o maior sentido de felicidade e realização nas nossas vidas.   

Qual o sentido da vida?

Ao invés de buscar uma explicação esotérica para nossa existência, Mihaly propõe uma explicação subjetiva, pessoal: o significado da vida é qualquer coisa que seja significante para mim.

Imagem: arte feita com palitos de dente.

Se eu amo fazer esculturas com palitinhos de dente, então esse é o meu barato. É o que dá signficado para a minha vida. Você pode achar perda de tempo, mas é o que preenche a minha vida de significado e eu não tenho como explicar o motivo, apenas sei que é algo que me traz prazer e posso passar horas e horas fazendo isso sem perceber o tempo passar. O que caracteriza essa escolha é 1) um senso de propósito e 2) autoconhecimento.

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