sábado, 28 de novembro de 2015

Adeus ao meu amigo Vicente Bojovski




HOMENAGEM AO MEU AMIGO VICENTE BOJOVSKI

Hoje acordei com a triste notícia do falecimento de um dos homens que mais me inspirou nesta vida: o grande artista, chefe de cozinha, poeta e pintor: Vicente Bojovski. Vicente e eu nos conhecemos em 2008, em Guarapari, e nos tornamos grandes amigos. Fui responsável pela sua primeira exposição de quadros em Guarapari e tive a honra de ter um livro de poemas ilustrado com as belas pinturas dele. Vicente partiu para outro plano, mas sua alegria contagiante e sua inesgotável paixão pela vida e pela arte vai vibrar para sempre dentro dos corações de todos aqueles que o conheceram e o amaram.
Fica em paz, meu amigo. - Tamara Ramos
 
 
 
O POETA QUE VEIO DO MAR
(Tamara Ramos)
Homenagem a Vicente Bojovski
 
 
Sinto saudade da terra distante que abandonei ao mar,
na memória de outras vilas me perdi,
cantando canções de livramento à beira de outras águas,
enviando cartas de amor a Zeus.
 
Pois da alma nobre surgiu a história mais bela,
de um povo acordado por versos azuis,
trazendo mais à minha alma que espaçosa morada.
E cada vez mais a história de minha vida se acende,
percorrendo areias de ilhas longínquas,
permanecendo alheio à tristeza e à dor.
 
Aprendi a ser feliz nadando na mesma fonte dos corais adornos,
que de tanto namorar o sol,
resplandeceu na órbita de meus encantamentos.
Porém, longe de minha aldeia, apenas meu corpo está,
pois como uma casa de rodas forasteiras,
nas costas de trabalho árduo a trago sem alças.
 
Fui mais longe ainda que o corsário audaz,
voei mais alto do que o corvo amigo que em certas horas confusas,
não me reconheceu como a um seu,
pois sendo ainda filho da Macedônia imaginária,
sou digno do chão que pisou meus ancestrais.
 
Mas o Brasil apareceu não sei de onde,
e de praia em praia sequestrou meus sonhos rígidos,
como a mulher ciumenta que amarra seu homem,
prendeu meu corpo na razão do vento.
 
Sou poeta e minhas palavras encantam o som desta vila nova,
caminho apátrida na imensidão deste solo hoje íntimo,
sei mais do amor deste céu de estrelas do que canta a voz do sabiá,
e por ser inteiro na arte de viver sem medo,
casei-me com duas moças distintas no rito e na cor:
uma mensageira amiga de Alexandre, desconhecedor de limites;
outra festeira e linda sob os braços abertos do viril Redentor.
 
Sou habitante de todos os lares,
carrego comigo os assombros do mundo,
da pobreza ganhei o ouro de sonhar nas alturas,
da riqueza ganhei prestígio, merecimento e ardor.
 
Faz tempo que não ouço o canto de minha gente,
mas no recanto oculto escuto a cantiga que a vida traz,
e sendo assim marinheiro do azul estrangeiro,
faço deste horizonte esplêndido
o refúgio da minha paz.

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