quarta-feira, 22 de abril de 2015

Escritos de Outono: uma autobiografia pelo avesso



Em maio estarei lançando meu novo romance, Escritos de Outono. Essa obra é bastante autobiográfica e revela os maiores desafios e angústias que enfrentei (e ainda enfrento) como escritora. No ano passado sofri uma crise de identidade terrível e pensei seriamente em desistir da escrita. Toda profissão tem seus altos e baixos e acho que todo mundo já enfrentou algo parecido durante a jornada. Mas talvez seja ainda mais difícil para o artista superar esses períodos de oscilações, pois dependemos da aprovação direta do público se quisermos ter sucesso nesse ofício. Estamos sempre sujeitos a muitas críticas, exposição e julgamentos, e isso pode abalar tremendamente a nossa autoestima e motivação.
 
'Escritos de Outono' foi escrito entre os meses de abril e junho de 2014, período do nosso outono brasileiro, e por mais paradoxal que pareça, escrever me ajudou a superar a vontade de parar de escrever.
Esse livro foi enviado a um editor que me disse o seguinte: "não gostei muito do estilo dessa obra, pois parece um diário. Você precisa melhorar o texto".
 
Bom, na verdade é mesmo um diário, e a opinião desse editor me ajudou a formata-lo de uma forma ainda mais incisiva. Durante o processo de produção de "Escritos de Outono" eu estava imersa na pesquisa e produção do projeto Autores Artistas, e por essa razão a arte se tornou um dos personagens principais dessa obra.
 
Ao entrar em contato com os grandes artistas do mundo como Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Van Gogh e Klint, fui resgatada da minha solidão e tive a minha dor amenizada. Meu estudo e análise da vida desses grandes mestres acabou sendo registrado em Escritos de Outono, e não pude modificar o texto, ainda que agora eu tenha pensamentos diferentes sobre alguns dos temas que defendi.  
 
"Escritos" é uma obra intimista, vulnerável, fictícia e real ao mesmo tempo. À certa altura da minha vida eu desejei deixar de ser eu. Queria experimentar uma personalidade mais simples, ter uma rotina comum, rasgar todos os projetos e eliminar o desgaste da ansiedade. Como isso raramente é possível na vida real, realizei esse sonho na ficção.
 
"Escritos de Outono" é um livro sobre o medo do esquecimento, uma carta aberta a todos que desejam conhecer o lado mais sombrio dos artistas, suas decepções, seus traumas, obsessões e loucura. Mas "Escritos" também é um livro sobre o amor. A personagem principal se reconcilia com si mesma por meio da arte e de uma nova paixão. Todo o processo de cura da personagem é o meu próprio processo de cura.
 
Longe de ser uma literatura de entretenimento, Escritos é mais um conto filosófico sobre a nossa  frágil essência humana. Várias vezes precisei parar de digitar em meu computador para poder chorar. Várias vezes apaguei trechos inteiros porque eles não eram sinceros. Várias vezes larguei a obra pela metade prometendo que não a terminaria. Mas a veia artística foi mais forte e consegui botar um ponto final antes que o outono chegasse ao fim.
 
Não sei como os leitores irão reagir a esse texto, pois ele é diferente dos outros que escrevi. Seja como for, trata-se de uma história completamente humana. E histórias humanas merecem ser contadas e compartilhadas, ainda que não recebam prêmios ou aclamações.      

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