quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Redescobrindo Shakespeare






 
 
Ainda me lembro quando tive contato com Shakespeare pela primeira vez. Naquela época eu tinha apenas doze anos de idade e fiquei completamente fascinada pelo poder das palavras do bardo inglês. Foi também a primeira vez que li uma prosa poética, o que me deixou confusa e atraída ao mesmo tempo. Afinal, como se podia contar uma história em forma de poesia? Era fascinante demais.
 
Mais tarde descobri as adaptações cinematográficas como "Romeu e Julieta" de Franco Zeffirelli, e "A megera domada", com Elizabeth Taylor e Richard Burton nos papeis principais. Ver Shakespeare criar vida no cinema até hoje me emociona. Ainda choro quando vejo o filme de Zeffirelli mesmo sabendo o final de cor e salteado.
 
Esse mês resolvi estudar a obra e a vida de Shakespeare mais profundamente e me matriculei em 2 cursos online à respeito do tema. O primeiro curso é organizado pela fundação Shakespeare Birthplace Trust, em Straford Upon Avon (cidade natal do autor), em parceria com a Universidade de Warwick. O outro curso analisa as peças de Shakespeare do ponto de vista da interpretação e encenação para os palcos, o que me dá uma visão mais abrangente como escritora e roteirista. Este segundo curso é oferecido pela Universidade de Wellesley.
 
As aulas são bem puxadas e estou tendo que reler várias obras como Romeu e Julieta, Othelo, Muito Barulho por Nada, Sonhos de Uma Noite de Verão, entre outras. Ler as obras acompanhada da interpretação de especialistas no assunto, nos oferece uma oportunidade maravilhosa de mergulhar em cada uma das tramas de uma maneira mais completa.
 
O amor, nas obras de Shakespeare, é tratado de forma dolorosa, apaixonada e avassaladora. Dá até um pouco de medo. Será que é mesmo preciso sofrer tanto quando se ama? Será que o amor deve ser punido por sua intensidade e loucura? Fico me perguntando se todas as histórias de amor precisam ter um final triste para que se justifiquem. O amor, na minha vida, nunca me trouxe paz ou estabilidade. Mergulhei sempre por águas turbulentas, enfrentei avalanches e desafios insuperáveis. E sofri. O final infeliz tornou-se uma constante, o que me dá uma sensação de perda e incompetência. Mas quando olho para os casos de amor mais bonitos da história percebo que o final infeliz é meio que uma condição para sua existência. Elizabeth Taylor e Richard Burton viveram na vida real a tragédia shakespeariana, e parece que mesmo sofrendo, foram felizes.  
 
Richard Burton largou mulher e filhas para amar Liz Taylor, e esse preço acabou se tornando um pouco caro demais. Mas se ele não tivesse pagado essa conta, nós não teríamos uma história de amor tão intensa quanto a que ele nos deram.
 
Ainda estou no começo dos cursos e não tive tempo para digerir melhor a mensagem de cada um dos textos que estou lendo. Reler "Romeu e Julieta", depois de tantos anos, me deu um pouco de desassossego. Minha alma maluca de artista deseja sempre mais do que deveria querer. E devorar Shakespeare noite e dia não está me ajudando muito a controlar meus anseios.
 
Seja como for, recomendo a todos a leitura da obra do autor inglês. Seja pela primeira, terceira ou milésima vez, ter contato com a paixão em seu momento de maior desvario nos dá certa sensação de poder, ânimo e coragem. Um dos estudantes do curso postou um depoimento essa semana que me emocionou. Ele disse que estava lendo Shakespeare pela primeira vez aos 76 anos, e que estava encantado!
 
É disso que estou falando, entende?  

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