segunda-feira, 25 de agosto de 2014

VIDA FORASTEIRA

 
 

Havia algo em mim que amanhecia com o vento

forte do leste.

A ânsia de partir acompanhando cada estremecimento súbito,

e as náuseas injustificadas,

fazendo todo sentido no verão vermelho.

 

Passageiro clandestino de mim mesmo,

percorrendo estradas de areia em desertos infinitos,

vítima do cotidiano inferno a estender amarras,

fugindo do pão igual de cada dia,

para beber água fria em copos de vidro.

 

Eram vãos meus sentidos abstratos,

turvando a visão do meu próprio caminho.

Querendo ir sempre

sem saber para onde,

querendo ter mais

sem saber porquê.

 

Por isso juntei meus pertences em mala pequena,

e bebi café forte às cinco da manhã de sábado.

Por isso lancei ao vento cada projeto antigo,

e rumei sem pressa ao horizonte novo,

que majestoso,

descortinava-se frente aos meus anseios assombrosos.
 
 
 
 
 
(Poema do livro "VIDA FORASTEIRA", publicado em ebook, pela Amazon.)


0 comentários: