sexta-feira, 8 de novembro de 2013

FANTÁSTICOS FEITIÇOS DO TANGO


 
RESENHA:  dia 5 de novembro, no jornal O Fluminense, de Niterói, o jornalista Roberto Santos publicou uma resenha sobre o livro UM TANGO PARA ALICE


FANTÁSTICOS FEITIÇOS DO TANGO

“A primeira nota do tango ecoou pelo salão, as luzes se apagaram e um ...holofote foi disparado em nossa direção. O clube inteiro estava ávido para presenciar aquele espetáculo inusitado, pois ninguém jamais havia visto Alice nos braços de um parceiro como eu”. (pág.98).

Um Tango Para Alice. Tamara Ramos. Ársis Editora. 152 páginas. R$ 30.

Para Jorge Luis Borges, o tango, inventado em 1880, tornou-se “uma dança muito lasciva, uma espécie de paródia do ato de amor”. Além desse caráter de indução sexual, mistério e feitiço rondam a famosa dança argentina. O presente livro de Tamara Ramos nasceu de pesquisas sobre psicanálise junguiana, bases fundamentais para entender um encontro entre duas mulheres completamente opostas — Alice, uma dançarina de tango, e Maria, que se sente infeliz e busca emoções, casada com Carlos, um chef famoso.

 O ambiente de El Viejo Almacén, com sons dolentes de acordeão e violino, mostra Alice a dançar. Carlos e Maria sentem-se atraídos por ela. E, desde então, Maria foi tão tocada que, de repente, largou o casamento em São Paulo e foi viver uns tempos em Buenos Aires, onde começou a procurar Alice. Nesse meio-tempo, toma aulas com Alejandro para ser uma tangueira. E, com isso, vai conhecendo muita gente diferente — a começar por Ferdinand, uma figura misturada de homem e mulher, que a leva para visitar o Alsina, clube frequentado por homossexuais...e tudo acontecendo por “um pouco de tango barato e uma dançarina de quinta categoria de um bordel argentino”.
Gira o tempo e Maria vai trabalhar como recepcionista numa galeria de arte. Pela segunda vez tem a oportunidade de ver Alice dançando no Taconeando, luxuosa casa de espetáculos. Amigos de Ferdinand observam: “Alice é a mulher que todo gay queria ser.”, Até que, num dado momento, Maria transforma-se em Isabelle, mulher de fraque e chapéu, com porte masculino. Surgem em Maria conflitos de identidade sexual e aparece Pablo, belo jovem de 25 anos, aspirante a pintor.

 Marchas e contramarchas existenciais tomam conta de Maria/Isabelle. E um inusitado encontro a sós dela com Alice, que é paga para isso. Também explode um beijo prolongado com o pintor Pablo. A vida corre e Maria retorna rapidamente a São Paulo, onde se encontra com o ex-marido. Há um crescendo de indagações sobre a natureza das identidades e das definições sexuais. O final é extraordinário, Um vivo tango tangolomango para o leitor.


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