terça-feira, 17 de setembro de 2013

CICLOS

 
 
 
Entra ano, sai ano, passa o tempo num vai e vem que nem sempre se percebe, ano novo, idade nova, novos planos. Enquanto seleciono a música certa que vai cantar no meu ouvido enquanto escrevo uma nova peça do início ao fim, penso em tudo o que vivi. Foram anos de luta, de expectativas ambiciosas - será que eu chego lá, meu deus, será que eu chego lá? Vou amassando fotos virtualmente jogando coisas velhas na lixeira do meu desktop. Uma nova era se anuncia, entro agora numa nova década. Os objetivos alcançados já não mais importam. Quero mais, quero tudo e quero agora. Um roteiro pro cinema, um roteiro pra TV, uma peça de teatro, mal pisquei o olho e me chegaram  3 contratos. O tempo não espera, quem garante estarei viva daqui a um segundo? Enquanto isso ela estaciona o carro a jato na porta da minha casa. Chega cheia de pressa, pede a senha e mede o tamanho do meu foco. Ela sempre à espreita e eu me lanço apaixonada. Ela, a imortalidade; eu, candidata a ser lembrada para sempre no sussurro da minha obra. Ela me estende as mãos... Hesito. Penso no preço de tudo que será sacrificado. Quem me acompanha? Quem corre comigo? O tempo urge, o vento passa gelado e violento na estrada da minha vida. Sou isso e sou também aquilo. Sou assim, assado e frito. Minha meta é evidente. Quero abraçar o mundo.    

1 comentários:

patriciacalhau1@gmail.com disse...

Lindo Tamara Ramos. ADORO SEU BLOG, seus livros sao maravilhosos.

LINDO O QUE VOCE ESCREVEU!!! bjss