sábado, 17 de agosto de 2013

BOLA NOS PÉS, LIVRO NAS MÃOS!





 
 
 
Bola nos pés, livros nas mãos! Este foi o slogan da campanha que o responsável pelo projeto social Bom de Bola, Luiz Amor, criou para despertar o interesse nessa parceria inusitada. Essa foi a primeira vez que realizei uma oficina exclusiva para garotos e, no início, fiquei preocupada... como prender a atenção de um grupo tão diferente e com interesses tão opostos aos meus?
 
Se eles não entendem muito de livros, eu também não entendo nada de futebol, mas não que é o encontro deu certo?
 
Esse mês estou realizando uma série de oficinas de escrita, leitura e palestras motivacionais para cumprir a contrapartida do edital governamental de Intercâmbio que ganhei em abril e que possibilitou minha viagem à Genebra. O Ministério da Cultura faz muito bem em exigir essa contrapartida, pois transforma todos os beneficiados em verdadeiros agentes de mudança.
 
É complicado visitar um projeto social como o Bom de Bola. Fico sempre chocada ao perceber o estrago que a falta de investimento em cultura e educação causa na vida dos jovens de nosso país. A esses garotos falta o básico. São jovens cheios de talentos inexplorados, levando uma vida de risco e de oportunidades limitadas. Por onde começar para modificar essa situação?  É necessário que alguém se envolva nisso e mostre a eles um novo caminho. É preciso que se abram portas e janelas para esse grupo de jovens brasileiros desacostumados aos prazeres da leitura. Prazeres sim, pois quando se desperta o gosto pela leitura se tem muito mais do que uma expansão de consciência. É prazeroso ouvir novas histórias, sonhar com mundos diferentes, com outras possibilidades.
 
Minha visita ao Bom de Bola pode até ter feito uma pequena diferença na vida deles, mas ainda é muito pouco. Saí de lá frustrada, envergonhada por ter tanto e não saber como dividir. Saí de lá achando que o que eu fiz não valeu de nada, foi irrisório, minúsculo e insignificante. Eles precisam de muito mais do que umas horinhas de leitura e bate-papo. Precisam de incentivo constante.
 
Aí penso em todas as outras comunidades nas quais eu não vou estar. Penso nos milhares de jovens que não vou conseguir alcançar e fico arrasada. Sozinha a gente não faz nada. E também não é quebrando os órgãos do governo que encontraremos uma solução para esse problema gigantesco. Teremos que nos unir como sociedade. Descobrir meios eficazes não apenas de incluir esses jovens, mas de prepara-los adequadamente para que a concorrência não seja tão desigual.
 
É mesmo muito complicado, mas felizmente temos pessoas como o Luiz Amor que compraram essa briga e devotam a vida a essa causa. É um trabalho solitário, difícil e cheio de obstáculos. Mas o que ele faz semanalmente lá, durante todos esses anos, é dez mil vezes mais importante do que uma visita esporádica, como a que realizei nesta manhã. Precisaríamos de mais uns quinhentos mil Luiz Amor para começar a virar esse jogo. Mas quem se candidata? 


2 comentários:

Patricia Calhau disse...

Texto sensacional Tamara Ramos!!! Fantastico!!! voce merece todos os aplausos do mundo como o Luiz Amor.

Lia Noronha disse...

Que belo trabalho..parabéns!!
abraços diretamente do meu Cotidiano pra ti.