segunda-feira, 15 de julho de 2013

À BEIRA DO ABISMO ME CRESCERAM ASAS...



 
 
Ir ao teatro é a minha maior aventura desde criança. Lembro-me da primeira peça que assisti em São Paulo, no teatro Célia Helena, quando tinha 7 ou 8 anos. Passei a semana inteira nas nuvens sonhando com aquele universo imaginário e deliciosamente mágico. O mundo da ficção sempre foi o meu mundo pessoal. Não é à toa que me tornei escritora, ou seja, profissional em criar fantasia.
 
Quando estou no Rio ou em São Paulo, jamais perco a oportunidade de assistir a uma boa peça. E dessa vez a escolhida foi "À BEIRA DO ABISMO ME CRESCERAM ASAS", escrito, dirigido e estrelado pela bela atriz Maitê Proença. Sou fã da Maitê. Hás dois anos li um livro dela chamado "Uma vida inventada" e fiquei admirada pela coragem que ela teve de expor sem medo todos os percalços da sua vida pessoal. O livro, uma obra autobiográfica, é de uma profundidade e de um lirismo desconcertante. Por isso fiquei feliz quando cheguei ao teatro e vi seus livros à venda e com a informação de que ela viria dar autógrafos após o espetáculo.
 
Comprei meu exemplar e esperei na fila até que a musa surgisse. Baixinha, simpática e linda, Maitê surgiu sorrindo e perguntando às pessoas se elas tinham gostado da peça.
 
- Você chorou? - perguntou Maitê a uma senhora da fila.
- Sim, chorei. Fiquei emocionada.
- Ah, que bom! Adoro quando as pessoas choram nesta peça. Eu a escrevi para que as pessoas liberassem todas as emoções e saíssem leves daqui. - respondeu Maitê.
 
Entrar na fila para pegar um autógrafo de Maitê e dar-lhe um abraço foi uma experiência especial para mim. Ontem à noite, quando estava indo para o Moocaires para o lançamento de "Um tango para Alice", pensei nos carros que estavam seguindo para lá com as pessoas que fizeram questão de ir ao meu encontro e fiquei sem fôlego. Vieram para o lançamento amigos e leitores de vários lugares do Brasil, o que me deixou extremamente emocionada. E enquanto esperava na fila pelo autógrafo de Maitê, compreendi melhor ainda a força da arte. Na fila de Maitê os papeis se inverteram. Ali eu era apenas uma leitora e expectadora que também havia vindo de longe para prestigia-la. E então tive o insight de que no mundo da arte não há hierarquia!
 
Quem estiver em São Paulo deve ir ao Teatro Faap para ver a Maitê e a Clarisse dando um show de humor e sensibilidade. Imperdível!
 
SINOPSE:
 
Terezinha (Maitê), de 86 anos, parece levar o dia a dia com otimismo, sem nostalgias, mas não se engane, ela carrega um grande segredo. Valdina (Clarisse), de 80, é de temperamento carrancudo ainda que bem resolvido. Em comum, elas têm a praticidade dos que aprenderam a simplificar a vida já que não há tempo para complicá-la. E têm a grande e indispensável amizade que se desenvolveu pelos anos de convívio. Adaptação de histórias colhidas em asilos por Fernando Duarte. Texto original de Maitê Proença.
 

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