quarta-feira, 15 de maio de 2013

MEU ENCONTRO COM LUIS COHEN FUSÉ





- Tamara, tudo já está escrito. A gente nunca entende no início, mas depois de algum tempo tudo fará sentido para você. Nossa trajetória de vida já vem com as linhas traçadas, tudo está conectado. Nosso encontro não é casual. E seu sucesso é algo garantido. Você vai ver.

Foi com essas palavras que fui recebida na casa de Luis Cohen Fusé, o maior pintor argentino da atualidade, que adotou Estoril (Portugal) como sua residência oficial há 30 anos. Luis Cohen Fusé é um homem alto, extremamente carismático, acolhedor, cheio de vivacidade e apaixonado pela vida. Esse argentino de Buenos Aires, amigo de Amália Rodrigues (há foto com ela no porta-retrato da sala), amante das cores, do bom vinho e da boa amizade, foi a maior surpresa que tive em LISBOA.
 
Encontrei o Luis pela internet, quando estava fazendo uma pesquisa sobre os artistas argentinos para incluir no livro UM TANGO PARA ALICE. Pesquisei vários nomes, mas algo me atraiu mais para o trabalho de Cohen Fusé. Primeiro dei um google nele, depois procurei por ele no youtube, e por final,  o encontrei no facebook (a residência de todo mundo) e mandei uma mensagem. Eu gostaria apenas de fazer algumas perguntas e pedir autorização para que seu nome fosse citado na obra, mas o que aconteceu depois fica por conta do destino e da lei da atração....
 
Eu já sabia que após Genebra iria a Lisboa, então tive a precaução de separar um exemplar da obra UM TANGO PARA ALICE com a intenção de entregar ao Luis se o acaso quisesse que nos encontrássemos ao vivo.
 
Logo que cheguei em Portugal mandei uma mensagem pra ele e então recebi o convite para almoçar em sua casa com sua família. Estavam lá sua esposa Rosário, seu filho e seu irmão, esperando a chegada da escritora brasileira que levou o pintor argentino ao público do Brasil. Uma festa! Senti um deja vú, relembrando a acolhida que tive de outra homenageada na obra UM TANGO PARA ALICE, a psicanalista brasileira Carmem Dametto, que me recebeu em sua casa com a mesma festa!
 
Em menos de dois minutos percebi que estava em casa.
- Tamara, quem não larga todo o resto para seguir a arte, não sobrevive. Só chega lá quem aceita pagar o preço. E ele é sempre alto. Mas ninguém sabe disso, porque vê apenas os momentos de glamour, sem conhecer nada dos bastidores de nossa lutas. E elas são muitas.  
 
Conselho de quem sabe do que fala. Os cabelos brancos do artista revelam um conhecimento mais profundo do assunto.
 
- Me convidaram para pintar umas canetas, um italiano que mora na Suíça (ela outra vez?), e que trabalhou para a Mont Blanc, encomendou duas unidades.
- Nossa, mas são tão pequenas! - disse eu olhando incrédula o tamanho da caneta - Como você fez? Levou muito tempo?
- Foi rápido, mas levei 40 anos para aprender a pintar assim...
 
Meus olhos brilharam. Cohem Fusé ama o Brasil e o Rio de Janeiro. Rosário, sua esposa, diz que admirava as roupas das brasileiras quando elas apareciam de férias pela Espanha (Rosário é de Barcelona). Mas não é o contrário? Não somos nós quem admiramos as espanholas? Pois é mesmo engraçado, nos misturamos com o resto do mundo porque nossas diferenças são atraentes demais.
 
Falamos sobre arte, sobre o Brasil, a Espanha e a Argentina, falamos sobre Amália Rodrigues e sua falta de sorte no amor, seu hábito de nunca beber álcool, mas gostar de ser fotografada com um copo na mão para as pessoas acharem que ela estava feliz.
  
O queijo francês, o salame português, o prato principal com feijões grandes e divinos, a salada de caranguejo e o sorvete de limão iam acabando aos poucos, enquanto a conversa e a risada não tinham fim. - Ora, quem não gosta de fado, não sabe de nada! - sentenciava o Luis.   
 
E a tarde passou. E minha vida aumentou. Meus sonhos ficaram ainda maiores misturados com as cores dos quadros de Luis. UM TANGO PARA ALICE ganhou forma, dobrou de tamanho. Um abraço apertado em frente a estação e a frase que jamais vou esquecer:
 
- Parece um sonho, Tamara. É mesmo um milagre! Não acredito que você esteve mesmo aqui!
 
Eu também custo a acreditar, Luis. E jamais irei esquecer.       

1 comentários:

patriciacalhau1@gmail.com disse...

Tamara querida, estou matando as saudades lendo as coisas maravilhosas que voce escre veu. beijos parabens!!!