terça-feira, 9 de abril de 2013

LIVROS QUE MUDARAM A MINHA VIDA 10 - SHAKESPEARE



Hoje chegamos ao fim da série LIVROS QUE MUDARAM A MINHA VIDA. Encerramos com uma coleção de 10 postagens com dicas de livros e curiosidades sobre os autores. Há sempre alguém pedindo dicas de leitura e, por esse motivo, desenvolvi esses posts para compartilhar meus livros e autores favoritos com o leitor.
 
William Shakespeare tinha que ser o último para que pudéssemos encerrar  em grande estilo! Sou muito fã de Shakespeare e creio que a obra dele gerou um impacto muito grande em minha vida. Aliás, abril é o mês de aniversário de Shakespeare, então fica aqui minha homenagem.
 
O livro que mais aprecio é MACBETH. Macbeth traz elementos místicos e sombrios que dão um contorno único à percepção que o autor tinha da natureza mesquinha e ambiciosa do homem.             Num encontro com as moiras (ou musas do destino), dois soldados são surpreendidos com uma previsão do futuro. Um seria um grande soldado, e o outro, se tornaria o rei da Inglaterra.  Quando a mulher de Macbeth toma conhecimento da previsão feita pelas feiticeiras, fica cega pela ambição. Se o destino do marido é ser rei, então ela mesma será rainha. Numa trama espetacular e envolvente, o casal começa a armar a queda do rei para que pudessem assumir o trono. Macbeth é um livro forte, potente e imperdível!
 
HAMLET também traz à tona a questão da loucura causada pelo sentimento de culpa e o remorso. Todos os livros de Shakespeare são altamente sombrios, mesmo os romances como Romeu e Julieta e as obras de humor. Para mim é sempre incrível ler um texto escrito há séculos e perceber sua inalterável atualidade. O próprio  Shakespeare já dizia que a essência do homem nunca muda.    
 
Mas quem foi Shakespeare? Foi simplesmente o maior poeta e dramaturgo inglês! Nascido em 1564, em Stratford-Upon-Avon, e falecido em 1616, o seu aniversário é comemorado a 23 de abril e sabe-se que foi batizado a 26 de abril de 1564. Stratford-Upon-Avon era então uma próspera cidade mercantil, uma das mais importantes do condado de Warwickshire. O seu pai, John Shakespeare, era um comerciante bem sucedido e membro do conselho municipal. A mãe, Mary Arden, pertencia a uma das mais notáveis famílias de Warwickshire. Shakespeare frequentou o liceu de Stratford, onde os filhos dos comerciantes da região aprendiam Grego e Latim e recebiam uma educação apropriada à classe média a que pertenciam. São conhecidos poucos fatos da vida de Shakespeare entre a altura em que deixou o liceu e o seu aparecimento em Londres como ator e dramaturgo por volta de 1599.
 
Em 1582 casou com Anne Hathaway, oito anos mais velha do que ele, e o casal teve três filhos: Suzanna (nascida em 1583), e os gémeos Hamnet e Judith (nascidos em 1585). A primeira referência a Shakespeare como ator e dramaturgo encontra-se em A Groatsworth of Wit (1592), um folheto autobiográfico da autoria do dramaturgo londrino Robert Greene, onde o escritor é acusado de plágio.
 
Nesta altura Shakespeare era já conhecido em Londres, embora não se saiba com exatidão a data do seu aparecimento na capital. Em virtude do encerramento dos teatros londrinos entre 1592-94, Shakespeare compôs nessa época dois poemas narrativos: Venus and Adonis (publicado em 1593) e The Rape of Lucrece (publicado em 1594). No inverno de 1594 integrou a mais importante companhia de teatro isabelina, The Lord Chamberlain's Men, onde permaneceu até ao final da sua carreira. A companhia deveu à popularidade de Shakespeare o seu lugar privilegiado entre as restantes companhias de teatro até ao encerramento dos teatros pelo Parlamento inglês em 1642. Em 1598 foi inaugurado o Globe Theatre, o teatro da companhia a que Shakespeare se associara, construído pelo ator e empresário Richard Burbage no bairro de Southwark, na margem sul do Tamisa. 
 
O Globe Theatre foi destruído pelo fogo no dia 23 de junho de 1613, durante uma representação da peça Henry VIII. Além de uma coleção de sonetos e de alguns poemas épicos, Shakespeare escreveu exclusivamente para o teatro. As suas 37 peças dividem-se geralmente em três categorias: comédias, dramas históricos e tragédias. Entre os dramas históricos, gênero que primeiro cultivou, destacam-se Richard III (Ricardo III), Richard II (Ricardo II) e Henry IV (Henrique IV). Entre as suas comédias contam-se Love's Labour's Lost, The Comedy of ErrorsA MEGERA DOMADA, a comédia de intenção séria The Merchant of Venice (O Mercador de Veneza), As You Like It (Como Quiserem) e A Midsummer Night's Dream (Um Sonho de Uma Noite de Verão). A tragédia não é uma forma que pertença exclusivamente a um determinado período na evolução da obra de Shakespeare. Sob influência de Marlowe, a forma de tragédia já se encontrava nas peças que dramatizavam episódios da História inglesa. Em Romeo and Juliet (Romeu e Julieta) e Julius Caesar (Júlio César) Shakespeare combinou a perspetiva histórica com uma interpretação trágica dos conflitos humanos. O período em que Shakespeare escreveu as suas grandes tragédias iniciou-se com Hamlet, escrita entre 1600-1602, a que se seguiram Othelo, Macbeth, King Lear, Anthony and Cleopatra e Coriolanus, todas elas compostas entre 1601 e 1608. Na última fase da carreira de Shakespeare situam-se as peças de tom mais ligeiro: Cymbeline, The Winter's Tale e The Thempest. Parte das obras de Shakespeare foram publicadas durante a vida do autor, por vezes em edições pirateadas, mas só em 1623 apareceu a edição "Fólio", compilada por John Heminges e Henry Condell, dois atores que tinham trabalhado com Shakespeare. No século XVIII as peças foram publicadas por Alexander Pope (em 1725 e 1728) e Samuel Johnson (em 1765), mas só com o Romantismo se compreendeu a profundidade e extensão do gênio de Shakespeare. No século XX reforçou-se a tendência para considerar a obra de Shakespeare integrada nos contextos dramáticos que a suscitaram.   (texto explicativo retirado da Wook)
 
Para quem quiser se aprofundar mais na literatura shakespereana, indico um livro fantástico da autora Germaine Greer que faz uma análise profunda da obra de Shakespeare.
 
Peço ao leitor que livre-se de todo e qualquer medo ou preconceito relativo à obra de Shakespeare e se aproxime das versões originais. Ler Shakespeare é como ler psicanálise, permite-nos cavar cada vez mais fundo no poço obscuro da essência humana.
 
Espero que tenham curtido as dicas e desejo boa leitura a todos vocês! 

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