quinta-feira, 1 de novembro de 2012

LITERATURA BOHÊMIA







Conheço a origem de todos os meus livros. Sei dizer exatamente o que me inspirou para escrever "Um Neurótico no Divã" , "Fiona e o Jardim Secreto" e todos os meus outros livros. Mas essa minha nova obra sobre uma dançarina de tango argentina e uma mulher  que troca de pele influenciada pelo tango de Carlos Gardel causou um completo branco na minha mente. Simplesmente não sei dizer de onde ela surgiu. 

Pode ter sido ao assistir alguma matéria sobre a Argentina e sua quente Buenos Aires, pode ter sido ao ouvir uns passos de tango na casa da Cláudia ou não. Cláudia diz que a ideia nasceu de uma biografia que li sobre a vida de George Sand, pode mesmo ter tido influência, mas juro que foi algo despertado pelo inconsciente. Não consigo me lembrar do motivo exato que me levou a escrever esse livro (o nome da obra ainda não pode ser citado) e nem de como o persoanegem se formou. 

Ontem coloquei o ponto final na obra e retornei à primeira página para fazer as revisões de praxe. Fiquei chocada! Essa obra absolutamente não veio do meu consciente. Intuo que acessei a caixa preta do inconsciente e o livro simplesmente me aconteceu.

Outro dia fui ao lançamento de um livro e o autor disse que essas coisas não aconteciam. Ele alegou que a escrita era um processo árduo e que essa história dos personagens aparecerem e tomarem um caminho próprio independente da vontade do autor  era bobagem.  Minha conclusão foi inevitável: o cara não era um artista.    

Eu juro que não sei dizer nada sobre o processo de criação desse livro. É claro que posso dizer que tive alguns insights enquanto caminhava na praia e outras ideias enquanto ouvia propositadamente  Carlos Gardel para me inspirar, mas a história inteira? Juro que não sei de onde ela saiu. Os cabalistas diriam que eu acessei a realidade dos 99% onde tudo já existe pronto. Talvez estejam certos.

A autora francesa de literatura erótica  Anais Nin era uma grande estudiosa da psicanálise e todos os seus contos e romances sensuais tinham base na caixa preta do inconsciente. Como venho estudando a psicanálise há quase três anos, creio que esse livro foi uma catarse freudiana. Os princípios  femininos e masculinos (ânima e ânimus, segundo Jung), se apresentaram nessa obra como num sonho. Meu livro novo é extremamente forte, erótico sem ser piegas e altamente psicanalítico.

Detesto cenas piegas de romance ou sexo e as evito completamente nos meus livros. Mas essa nova obra, cujo tango se apresenta como tema de fundo, faz uma revolução. Há cenas de sexo sim, mas elas vão surpreender o leitor pela brevidade e intesidade da narrativa. A originalidade dos sexos também está trocada o que  vai levar o leitor a se lembrar dos filmes de Almodóvar. É verdade, meu livro novo é bastante almodovariano. 

Na verdade, essa obra é uma  declaração de amor a um país que ainda não conheço, mas que me atrai muito: a Argentina. As casas de tango dão glamour à história: El Viejo Almacém, Taconeando e Alsina (fotos acima) são personagens importantes  na trama. E a atmosfera cosmopolita de  Buenos Aires é uma atração à parte.

Creio que acabei de estrear num outro tipo de literatura: a literatura bohêmia. Todos os personagens bebem muito, fumam, dançam e resolvem seus conflitos na mesa de um bar. Não há pudores na linguagem, no comportamento, nas atitudes e pensamentos. Os personagens vivem à beira do inconsciente e vão descobrindo a essência de sua alma aos poucos permitindo que o leitor acompanhe o passo a passo dessa jornada.

Encerro 2012 assinando mais essa obra e aguardando ansiosamente o momento de compartilhar tudo impresso com meu leitor.   

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