segunda-feira, 13 de agosto de 2012

LEIA O 1º CAPÍTULO DE UM NEURÓTICO NO DIVÃ



Um neurótico no divã é uma comédia filosófica que trata do tema da loucura com humor e profundidade. Alberto é um paciente em surto que faz sessões de análise com Doutor Mateus Mika e leva seu médico a repensar o conceito da sanidade mental, bem como as escolhas que fez na sua própria vida. Alberto e seu grupo de amigos excêntricos, como o austríaco Henrik e o poeta carioca Garcia, levantam questões polêmicas sobre as dificuldades dos relacionamentos humanos, dos casamentos, da busca pela realização pessoal e da dificuldade em manter-se são diante das adversidades da vida. O livro é baseado nas teorias anarquistas dos psicanalistas Wilheim Reich e Roberto Freire, bem como pela teoria da sexualidade de Freud e pela teoria da individuação de Jung. O texto é desenvolvido com muitos diálogos e está sendo compradao à prosa curta e humorística de Nikolai Gogol. Um livro que prende a atenção do início ao fim e leva o leitor a refletir sobre a felicidade, a sanidade e as oportunidades de mudança de vida que estão ao alcance de todos nós.



1º   CAPÍTULO



– NÃO ACREDITO EM NADA! Estou farto, farto, farto! Até os livros mentem! Bem que Henrik me dizia... Henrik é o mais são de todos, mas você fez com que eu traísse o único homem decente que já conheci! Louco! Não sei como ainda pode estar aí sentado ouvindo as confissões de tantos inocentes. É isso mesmo! Está achando que tenho medo de você? Pois não tenho, não! Acho mesmo que o senhor deveria estar preso! Ou ao menos bem longe das salas de psiquiatria. Aliás, não sei como me convenceu a contar minha história para você. Voyeur! Não passa de um voyeur de quinta categoria bisbilhotando a mente alheia. Acha que não te conheço? Pois sei bem quem você é! A sua sorte é que o Henrik não está aqui hoje. Mas uma hora ele aparece. Ah, se aparece! E aí então eu quero ver o senhor dizer estes disparates na frente dele. Covarde!

– Fale um pouco mais sobre o Henrik, como se conheceram e...

– Cale-se! Maluco insano! Não ouviu tudo o que eu te disse? Tudo foi dito bem na sua cara e você finge que não escuta? Não ouviu que por mim o senhor estaria preso? Basta! A sessão acabou, por mim pode ir embora.

– Quem define o final da consulta sou eu. E ainda temos mais quinze minutos.


– Mas é mesmo muita ousadia! Não vê que não vou dizer nada? Estou farto! Cansei dessa mentira. Que mundo de loucos é esse que o senhor vive? Admira-me não estar farto também! Sabe o que é isso? H-I-P-O-C-R-I-S-I-A! Acha que já não notei que o senhor é maluco? Fica aí rabiscando no vento, falando entre os dentes, mexendo a perna. Acha que não vejo?

– Compreendo suas observações Alberto, mas acredite que minha única intenção é ajudá-lo.

– Ora, não me venha com desculpas tolas! Vai me enrolar agora?

– Está bem Alberto, se não vai parar de me atacar e se recusa a me contar seus sonhos, é melhor encerrarmos a sessão por hoje. Espero-te na próxima sexta-feira no mesmo horário. Por favor, não se esqueça de tomar a medicação desta vez. É importante que cumpra a receita, entendeu? É apenas para o seu bem.

– Sempre a mesma ladainha: é para o seu bem, é para o seu bem, é para o seu bem! – diz Alberto imitando uma criança mimada - Argh! Não se cansa disso também? Passa a vida a intoxicar-me e acha mesmo que faz para o meu bem? Egoísta!

– Basta, Alberto! Se não confia no próprio médico, vai confiar em quem?

– No Henrik, é óbvio! Mas o senhor é ciumento, egoísta e pequeno demais para compreender a sanidade dele. No fundo sabe que o Henrik leu muito mais que o senhor e é bem mais competente! Isso é ciúme disfarçado de preocupação. Bem te conheço!

– Deu, Alberto. Pode ir embora. Tome seu remédio e voltamos a ver–nos na sexta-feira. Até lá procure não beber demais. Diga ao Henrik que você está abstêmio enquanto durar o tratamento. Se ele é mesmo assim tão inteligente quanto diz, vai compreender.

– Henrik acha que eu não preciso de remédios!

– Então se afaste do Henrik durante o tratamento.

– Mas era o que me faltava agora! É muita petulância! Acha que vou me afastar do meu único amigo só porque o senhor quer? Louco!

– Está bem Alberto, mas tente não acompanhar os porres do Henrik, está bem? Ele bebe demais.

3 comentários:

patricia disse...

GENTE, O LIVRO "UM NEUROTICO NO DIVÃ" É G E N I A L !!!! FASCINANTE, PROFUNDO, ENGRAÇADO.

Anônimo disse...

Oi Tamara,te conheci através de uma amiga Chamada Patricia, acabei de ler seu livro"um neurótico no divã" muito engraçado e profundo me fez até refletir sobre minha vida.rsrs
O paciente Alberto era como um milho de pipoca que ao contato com o fogo( pressão da sociedade, familia etc)fez com que seu interno pulasse para fora e ele mesmo com o seu desiquilibrio pode observar a vida que levava,ao contrário do médico que era infeliz e não sabia. Este livro me fez sentar no divã. rsrsrs parabéns pela grandiosa obra.
Elza Canuto

Tamara Ramos disse...

Obrigada Elza. O livro faz mesmo a gente pensar sobre nossa vida. A linha que separa a loucura da sanidade é quase invisível, quando damos por nós, estamos num estado elevado de stress e insatisfação. Fico feliz que tenha gostado! Abraço, Tamara