terça-feira, 10 de julho de 2012

O JARDIM E AS BORBOLETAS



Todos conhecem aquela história do jardim, certo? Cuide do jardim e as borboletas virão. Pode parecer uma comparação estranha, mas a mente do escritor também é como um jardim. Estava empacada no meio de uma obra e não sabia como resolveria o problema da minha personagem principal. Todo mundo sabe que personagem é alter ego de autor, e quando o autor não sabe bem o que fazer com o personagem é porque também não sabe bem o que fazer com a própria vida. E quando ocorre este impasse só há uma única saída: parar por um momento e entregar a obra a um pensamento maior. 

Na falta de qualquer opção melhor (até porque insistir num caminho incerto pode arruinar a vida de ambos: do personagem e do autor), entrei no meu amado, adorado, salve salve, site da Estante Virtual e me entupi de livros. Li tudo o que todo mundo disse e cheguei à seguinte conclusão: o personagem estava no caminho certo quem estava no caminho errado era eu. Na verdade, quando parei o meu próprio trabalho e me dispus a ler o trabalho de outras pessoas fiz algo como cuidar ativamente do jardim. Ao final de meia dúzia de livros verifiquei uma dúzia de borboletas pairando sobre minha mente e a decisão de escrever voltou com tudo. Não apenas descobri o destino de minha personagem, mas também o meu.

É uma complicação só essa cabeça de artista que vive de dar voltas por aí. A gente vai se encantando com tudo à nossa volta e mal percebe que também somos parte integrante do mesmo plano. A diferença entre Anais Nin e eu? Os anos. 

Cuidar do jardim significa parar de pensar na versão própria de todas as coisas e convidar outras percepções a entrar. É ver tudo de novo do avesso, é sentar-se ao lado de outras cabeças que pensam, é renovar. 

Graças a uma semana de pausa meu jardim está novamente florido e convidativo para muitas borboletas que possam querer se aproximar. 

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