quarta-feira, 25 de julho de 2012

LANÇAMENTO DO LIVRO: UM NEURÓTICO NO DIVÃ




Não me lembro do dia exato que decidi pela carreira de escritora. Minha lembrança mais longínqua do meu contato com os livros está lá na infância. Meus pais são super leitores apaixonados por livros e na minha casa havia uma estante de madeira que ia até o teto com mais de dois mil volumes lidos por eles. Minha mãe costumava contar histórias para nós e lembro que aos nove anos de idade me apaixonei por uma coleção de contos de suspense onde o autor dava ao leitor a possibilidade de escolher vários finais. Era assim, quando aparecia uma cena suspeita o autor perguntava ao leitor: Se você acha que o ladrão é madame fulana vá para a página 25, se acha que é o mordomo retorne a página 10. Eu lia e relia aqueles livros tentando encontrar todos os finais possíveis e me deliciava com aquelas histórias.

Aos 12 anos descobri a poesia de Fernando Pessoa pela minha tia Rô. Ganhei o livro "O Eu Profundo e Os Outros Eus" e adorei a ideia de poder ser mais de um através das letras. Aos 14 anos comecei a escrever meus próprios poemas muito timidamente, imitando os poetas famosos como todo novato faz. Ainda não tinha uma personalidade própria e por isso limitava-me a copiar quem a tinha. Aos 15 anos uma professora de português se encantou com minhas redações e começou a guardá-las. E penso que minha carreira teve início aí.

Hoje estou com quase 35 anos e então não posso mais me considerar uma escritora novata porque embora meu primeiro livro só tenha sido publicado agora, já possuo 20 anos de carreira! :)   

Em 2011 aventurei-me sozinha pela Europa e tive a oportunidade de trabalhar numa pequena editora que me deu a chance de ler mais de 30 livros em poucos meses. Foi lá na Europa que me apaixonei por Milan Kundera e Alan Bennett e acredito que o sucesso que estou começando a obter agora também seja fruto do meu contato com os grandes autores europeus.

O livro Um neurótico no divã ganhou o Prêmio Anchieta Arte e Cultura no mês de abril e foi esta vitória que me permitiu lançar a obra. Artista não tem dinheiro em começo de carreira e eu, como a maioria do grupo, também sobrevivi na dureza alimentada apenas pela paixão por minha arte. Foram anos brigando com dezenas de emprego que eu comparecia apenas para fazer dinheiro para comprar mais livros. É isso mesmo. Aliás, desde minha juventude, lembro que juntava minha mesada para gastar inteira na livraria. Nunca tive dinheiro para comprar casaco Chanel, bolsa Vitor Hugo e  vestido Dior e sinceramente? Isso nunca me fez falta alguma porque meu tesão está mesmo em comprar livros.

Depois de escrever 5 livros de poesias e um infanto-juvenil de trocentas páginas comecei minha jornada árdua pelas editoras do Brasil e de Portugal. Foram muitos nãos, e nãos, nãos. Os nãos eram tantos que cheguei a abrir uma pasta no meu e-mail chamada: NÃO e  salvava os nãos ali. Lá no fundo eu sabia que um dia receberia um SIM, mas até lá segui colecionando os nãos.

Chegava a sentir vergonha dos amigos que me perguntavam sempre: e aí? Já conseguiu publicar? A resposta foi não durante muitos anos. Mas aí eu lia a biografia de James Joyce e me consolava pensando que até mesmo ele levou 9 anos para receber um SIM ou a JK Rowling que levou 7 anos para que seu Harry Potter fose aceito por uma pequena editora corajosa. Fiquei viciada em biografias de escritores e isso foi ótimo para mim porque ali comecei a entender a qual clube eu pertencia. As histórias se pareciam tanto com a minha que passei a não ligar mais para meus fracassos pessoais, porque no fundo não eram assim tão pessoais, eram meio que a sina do grupo ao qual eu seguia.  

O importante é que mesmo com a bagatela de nãos recebidos eu segui escrevendo e criando mundos de ficção cada vez com mais alegria. A editora tal não gosta do meu trabalho? Azar! O editor tal acha que meu trabalho não é bom o suficiente? Problema dele! Em momento algum eu deixei de acreditar em mim mesma e acho que devo isso ao apoio dos amigos e principalmente da família. Sempre fui incentivada e encorajada dentro da minha casa e isso me deu forças para prosseguir. Deixo aqui impresso meu agradecimento.

O que importa é que hoje estou colhendo os frutos da minha persistência e Um Neurótico no Divã é prova disso. Ainda não fiz o lançamento oficial (que será dia 16 de agosto em Caratinga) e os livros ainda não estão à venda nas livrarias do país, mas eu chego lá.

Acho que a mensagem principal que esta vitória nos deixa é sobre a importância de perseguir nossos sonhos e isso serve para qualquer carreira. Nunca fui uma pessoa comodista e os percalços da minha vida (pessoal, financeira, amorosa) jamais paralisaram o meu caminhar. Pelo contrário! Quando a coisa vai mal em qualquer aspecto  da minha vida sempre me fortaleço na paixão que tenho por minha profissão. Podem ir os amores, o dinheiro, os amigos, pode tudo ir embora de vez desde que os livros fiquem. Aliás, cedo ou tarde também eu vou partir para sempre, mas minha obra sobreviverá a mim e me transformará num nome eterno. Se isso é importante? Talvez não. Seja como for, quando eu não pertencer mais a este mundo serei sempre motivo de grande incentivo para todos aqueles vivos que estiverem lutando pelos seus sonhos no período de sua existência. 

Realização para mim é poder olhar minha obra impressa e descobrir que não desperdicei minha vida com besteira. É descobrir que fiz algo bacana com a minha vida e curti cada momento que estive respirando por aqui.

Obrigada a todos os amigos, parentes, leitores, pessoas próximas ou distantes de mim que de alguma forma concorreram para o sucesso da minha jornada. Todos são importantes e inesquecíveis. A vida é cheia de mestres, basta estar aberto para reconhecê-los. Obrigada.

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