sexta-feira, 27 de julho de 2012

DE PAI PARA FILHA





Ricardo Ramos, meu pai, enviou-me um e-mail dizendo que meu estilo literário pode ser comparado ao do russo Gogol. Por incrível que pareça eu ainda não havia lido "O Capote", considerado o pai da literatura moderna por outro russo ilustre: Dostoievski. Fui correndo na internet e baixei a obra prima de Gogol que causou-me risos, gargalhadas, angústia, dor e um sentimento terrível de amor e temor pela humanidade. Fiquei honrada em ter meu trabalho comparado ao do mestre russo por outro mestre brasileiro, meu pai. Em meu último post conto um pouco sobre minha jornada na carreira literária e meu pai  então enviou-me outro e-mail (publicado abaixo na íntegra) revelando que minha paixão pelos livros tem possível origem genética: foi herdada do meu avô, e depois dele mesmo, meu pai. Ricardo Ramos é um pintor apaixonado pela arte do mundo, um seguidor entusiasta de Michelângelo e por este motivo, iniciamos uma parceria artística em UM NEURÓTICO NO DIVÃ, pois todas as ilustrações da obra estão assinadas por ele. Sou muito sortuda de ter nascido numa familia de intelectuais. Segue abaixo a versão de meu pai sobre meu gen artístico.      


Tamara, você tem a quem puxar. Vou contar uma historinha interessante. Quando eu tinha meus 14 anos, pedia sempre dinheiro a meu pai para sair com os amigos nos fins de semana (ir ao cinema, comprar pipoca, fazer um lanche etc.). Então ele me propos que fosse trabalhar com ele de Office Boy na parte da tarde, pois estudava de manhã no Ginásio Santista. Assim foi feito. Comecei a trabalhar em seu escritório e fiquei conhecendo sua pequena mas interessante biblioteca. Vô René era ávido leitor e possuia algumas obras que me atiçaram a mente. Desse modo, além de ler na escola, por obrigação, alguns autores nacionais tradicionais, como José de Alencar, Machado de Assis e outros mais cujos exemplares vinham da biblioteca de meu pai, passei a conhecer autores estrangeiros como Henry Miller, Gogol, Boris Pasternak Tolstoi, Lin Yutang, este chines, e até A Divina Comédia de Dante, e os Lusiadas de Camões, todos muito bem encadernados e organizados. Li também quase toda a obra de Jorge Amado, Graciliano Ramos e outros que não me vêm à memória agora. Tinhamos em casa o Tesouro da Juventude, uma espécie de enciclopédia escolar de 18 volumes ! Tínhamos mais coisas. Assim, pude conhecer alguma coisa de literatura - acho que tia Renata ainda tem algumas dessas obras em casa. Veja então que sua mãe é intelectual, seu pai sempre gostou de ler e herdou esse gosto de seu avô, uma pessoa bastante culta que falava inglês correntemente. Sabe porque ele seguia sempre como chefe da delegação do Santos Futebol Clube quando excursionava ao exterior ? Porque era o único diretor que sabia falar inglês.  Depois de 25 anos no Santos, ele saiu com o título de benemérito, como também o era da Federação Paulista de Futebol onde permaneceu por 22 anos seguidos, com Mendonça Falcão, Paulo Machado de Carvalho, que dá nome ao Estádio do Pacaembu em São Paulo, e José Ermínio de Morais Filho, irmão do Antonio Ermínio, donos da Votorantins, todos presidentes. Paulo Machado de Carvalho era dono da TV Record e era chamado de General da vitória, por ter comandado as excursões vitoriosas da Seleção Brasileira de 58 na Suécia e 62 no Chile. A homenagem que fizeram ao Vô na Vila Belmiro foi merecida e fiz questão de frizar isso naquele dia ao falar ao público agradecendo a lembrança. Beijos.

3 comentários:

Patricia Calhau disse...

Amei tudo que li. Bj

Patricia Calhau disse...

Senti inveja mas logo em seguida felicidade para prosseguir nos meus sonho. Parabens
! BJS

Tamara Ramos disse...

Obrigada Patrícia. Os sonhos devem ser seguidos sempre, à qualquer custo, porque é o que faz a vida valer tanto a pena! E acredito sinceramente, que quando seguimos nossos sonhos com determinação, a vida começa a conspirar a favor. :) Bjs