sábado, 30 de junho de 2012

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET




Fui totalmente conquistada pelo filme de Martin Scorsese, A INVENÇÃO DE HUGO CABRET. Confesso que aluguei sem grandes expectativas achando que era só mais um filminho americano cheio de efeitos especiais.  Mas Hugo Cabret é uma obra–prima que enche os olhos e o coração. É simplesmente emocionante ver a Paris dos anos 30 recriada esplendidamente numa estação de trem. A fotografia magnífica, a trama cheia de aventura com homenagens a Charles Dickens e a atuação primorosa dos atores mirins encantam qualquer pessoa.

Scorsese, que buscava há muito tempo a inspiração para fazer um filme infantil, sentiu–se imediatamente identificado com o livro A Invenção de Hugo Cabret do norte–americano Brian Selznick. E transformar a obra em animação cinematográfica foi um trabalho hercúleo.

George Meliés, o pai do cinema, é homenageado de forma belíssima por Scorsese. Um dos momentos cinematográficos mais famosos criados pelo francês é o olho da Lua atingido por um foguete. Essa imagem aparece em "A Invenção de Hugo Cabret" e vem repleta de significados - especialmente nostalgia. Nutrindo essa sensação de sentir falta daquilo que não vivemos, Scorsese nos leva por um passeio pelos filmes antigos.

Ao mostrar o começo do cinema, Scorsese também desmistifica a arte, mostra que tudo - desde Meliés até hoje - não passa de truques, jogos de espelhos para contar uma história. Aqui, Scorsese e Richardson (diretor de fotografia) reinventam o nosso mundo real. E, não por acaso, há um clima artificial semelhante a ilustrações de livros infantis nos cenários, na direção de arte, tudo isso para remeter às criações do próprio Meliés.

Quem ainda não viu, corra até a locadora mais próxima e embarque nesta viagem extraordinária pela história do cinema contada por um de seus maiores mestres: Martin Scorcese.

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