sábado, 19 de maio de 2012

VIAGENS & SOBREVIVÊNCIA


"Eu... eu... nem eu mesmo sei, nesse momento... eu... enfim, sei quem eu era, quando me levantei hoje de manhã, mas acho que já me transformei várias vezes desde então."

Lewis  Carrol - autor de Alice no país das maravilhas

Já estou preparando minha próxima viagem. O processo é sempre o mesmo: defino o destino onde quero chegar e começo a visitar todos os sites de agência de viagem online para coletar informações. Preciso saber sobre a história do país, o valor da moeda, o preço da passagem, o preço do aluguel de apartamento,  etc. A cada dia de busca pelo meu objetivo, ele torna-se mais próximo e real. Primeiro digo a mim mesma: preciso viajar para ter inspiração e escrever. Uma vez dada esta mensagem, já era. O corpo fica em terra firme, mas a cabeça começa a transitar por aí.   

As viagens são essenciais na profissão do artista. O contato com outros mundos e culturas faz verdadeiros milagres em nosso trabalho. Retornei da Europa há seis meses, escrevi três livros incríveis inspirados por esta jornada, mas agora sinto-me vazia. Minha mala vermelha adormece em cima do meu armário e durmo e acordo olhando para ela. É quase um convite diário.

Minha última viagem foi um divisor de águas na minha vida. Tive experiências surreais e fantásticas que me tranformaram profundamente. Conheci gente interessante, lugares mágicos, fiz erros de julgamentos, bebi mais vinho do que devia, me encantei com o sotaque do mundo, aprendi nova linguagem, rejuvenesci e amadureci simultâneamente. Cheguei ao Brasil transformada tanto como profissional, quanto como pessoa. 

O ano de 2011 foi um ano de plantio, e 2012 tem sido um ano de colheita extravagante. Só isso já serve de lição: é necessário que se plante!

Aprendi que a chegada é tão importante quanto a partida, pois é somente quando chegamos que conseguimos avaliar a extensão e a profundidade de tudo o que vimos e aprendemos durante nossa peregrinação. Vamos  nos  transformando aos poucos  durante a caminhada, mas somente no fim da viagem temos noção do quanto mudamos.

Viajar para mim não  é férias ou descanso, mas uma questão de sobrevivência da minha natureza artística. Preciso estar no mundo para compreender quem sou.

Meu próximo destino vai surpreender meu leitor. Estou planejando uma viagem ousada, pouco convencional, perigosa e maravilhosa, mas isso é assunto para mais tarde. :) Só posso adiantar que não desejo escutar nenhum idioma conhecido durante esta nova jornada. Quero aprender novos sons!

Hoje fico por aqui e sugiro ao leitor que ele também comece a sonhar com outros destinos. Não pense muito, não faça contas, não boicote seus planos, apenas vá. E o mundo inteiro se abrirá para você. 

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