segunda-feira, 7 de maio de 2012

ESCREVENDO PARA O PALCO





"Aceita o conselho dos outros, mas nunca desistas da tua própria opinião".

William Shakespeare

"As ideias das pessoas são pedaços da sua felicidade".

William Shakespeare

"Nada encoraja tanto ao pecador como o perdão".

William Shakespeare


É engraçada a vida de uma pessoa que se dedica noite e dia ao aprimoramento de sua arte.  Quantos nãos acumulados, quantos textos rasgados,  quantas ideias ignoradas, quantos rabiscos, tentativas, erros e acertos são necessários para se estabelecer o profissionalismo no ofício do escritor?  Sei lá eu quantas noites perdi sonhando com o mundo imaginário! O pior é olhar alguém dizendo algo sério enquanto a veia da comédia desperta em nós. Quantas vezes  precisei abafar o riso diante do absurdo? Mas mais absurdo ainda é fazer-se de sério por educação. E quantas vezes a tragédia é cômica quando aumentamos um pouco o som? 

Hipocondríacos, fracos, homem chifrudo, falhados, seres sensíveis demais,  filhos demasiadamente devotados,  mulheres dependentes e incapazes, gente infeliz que só atrai desgraça, missa de sétimo dia para ateu, desempregado crônico, bêbados e drogados, mulher ambiciosa, marido incompetente, neuróticos, falidos e mal tratados, fonte sem fim de inspiração para o teatro. Se o autor morrer de pena vai escrever uma tragédia ruim, e livro ruim morre na estante sem aplauso de crítico e nem destaque na Folha de São Paulo.    

O teatro é um terreno novo para mim. Venho flertando com ele em meus últimos livros, mas jamais havia sentado para escrever no formato de roteiro. Meus textos são recheados de  diálogos porque gosto de dinâmica e movimento em meu trabalho. Texto muito descritivo fica chato e não interage com o leitor. Sinto atração por personagens vivos que falam, xingam, são abusados, batalham, arriscam  e saem dando conselho à torto e à direito para quem estiver interessado em ouvir. São todos alter egos de mim mesma? É provável que sim.

Mas escrever exclusivamente para os palcos é como injetar adrenalina pura na veia. Não há como sentar para  desenvolver um  roteiro sem pensar em Shakeaspeare, Molière, Ibsen, etc. Não sei se toda autora passa por isso, mas sinto que um espírito masculino se apodera de mim. O humor fica mais afiado, a força mais à flor da pele e, até mesmo os trejeitos, se alteram em mim. Na época do teatro elisabetano não havia atriz. Tudo o que havia era uma trupe de homens malucos que  vestiam-se de mulheres quando havia necessidade de uma dama em cena. Talvez por este motivo havia um  certo menosprezo pela figura  feminina.  As mulheres importantes em Shakespeare eram tão ou até mesmo mais masculinas e fortes do que os homens. Quem não se lembra da loucura viril de Lady Macbeth? Da ousadia da Megera Domada? Da mulher supostamente adúltera de Otelo? Penso que Shakespeare era tão masculino que estendeu  sua virilidade às mulheres que criou. E que bom que fez  deste modo! Aliás, para quem nunca pensou nisso antes, lembre-se de que Shakeaspeare era contemporâneo de Elizabeth I! Por acaso já houve mulher mais poderosa do que aquela? Talvez por ter atuado num país sob regência de uma rainha guerreira a arte de Shakeaspeare seja tão afiada. 

Veja bem, não sou nem feminista e nem anti-feminista, por favor, não me ponham rótulos! Mas para mim  não há nada mais abominável do que uma mulher fraca, cheia de recalque e comportamento infantil.

É tão excitante pensar que meus personagens criarão e compartilharão vida que este fascínio quase me paralisa. Talvez um dia eu seja autora de uma grande  tragédia ao estilo dos gregos, mas por agora só penso mesmo é em me divertir. Quero ver exposta as fraquezas humanas e quero ver todo mundo rir. Quero que as pessoas reflitam sobre suas escolhas tortas, seu falso moralismo e sua visão estreita diante de imensas possibilidades. Sim, leitor, só comédia por enquanto. 

Se eu  carrego sofrimentos em minha vida privada? Mas é claro que sim! Se eu sofro com isso? Mas é claro que não! Quem consegue rir de si mesmo atinge um nível de satisfação à prova de arma de fogo. Há algo mais chato que pessoas frustradas, infelizes e choramingas? Gente chata pra mim vai virar caricatura no palco. Portanto meu leitor, bola pra frente! Quem perde hoje, ganha amanhã. Aprenda a rir das próprias desgraças e  deixe de fazer coro ao bando de gente triste que não consegue ver graça na vida.   
          
Aqui entre nós, acha que Miguel Falabella, Luiz Fernando Guimarães, Fernanda Torres e Adriana Esteves passam o dia reclamando pelos cantos? Pois eu duvido! :)
Tenha uma boa semana e aprenda a rir mais de si mesmo! Seja genuinamente feliz.

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