sábado, 11 de fevereiro de 2012

VIDA DE ESCRITOR




"O futuro tem muitos nomes.

Para os fracos é o inalcansável,

para os temerosos, o desconhecido,

para os valentes é a oportunidade."



A leitura é uma fonte inesgotável de prazer,

mas por incrível que pareça,

a quase totalidade, não sente esta sede.



Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.



Todas as vezes que me perguntam sobre a minha profissão e revelo que sou escritora, recebo um olhar estranho, misto de admiração e curiosidade. Afinal, se meu nome não é Paulo Coelho ou Rhonda Byrne ou JK Rowling, como será que sobrevivo dessa estranha arte?


Na verdade, é mesmo muito difícil para o escritor sobreviver da sua arte, mas ele não tem lá muitas alternativas. Porque ser escritor não é escolha ou opção, mas algo maior que se impõe. Uns chamam de dom, outros de talento, outros de loucura. O certo é que ser escritor é algo infinitamente prazeroso e infinitamente penoso ao mesmo tempo. É quase uma sina, uma maldição.


O escritor é alguém que tem problemas sérios de vícios, sendo o maior de todos, a incapacidade de dosar a volúpia por ler livros. O escritor é uma pessoa com uma curiosidade indiscreta pelo pensamento alheio e uma dificuldade impressionante de calar diante de uma folha em branco.


Se meu leitor tivesse acesso à minha mesa de cabeceira ficaria mal disposto. Perguntaria a si mesmo que diabos haveria de tão especial dentro de todos os livros que leio ao mesmo tempo. E minha resposta talvez não ajudaria muito porque seria unilateral e rígida: dentro dos livros que leio está a minha vida.


Meu leitor também ficaria perdido diante do ecletismo das minhas leituras. Meu gosto varia desde a mais simplória ficção russa ao pensamento denso de Proust. Vai da poesia à biografia. Da anarquia ao modernismo. Da Idade Média à filosofia contemporânea. Dos clássicos gregos à dramaturgia nórdica. De Shakespeare à Pablo Neruda. E quanto mais livros eu leio, mais desejo ler. É uma busca pessoal constante que me faz dormir tarde e desejar acordar mais cedo apenas para ler mais. Não há metas, limite ou bom senso nesta atividade. É um exercício cerebral intenso que dobra minha mente ao meio e me obriga a rever conceitos diariamente. Quanto mais lemos, mais nos distanciamos de nós mesmos e, paradoxalmente, melhor definimos quem somos.


Há apenas uma coisa linear que identifico na leitura, os livros impedem a idiotização do ser humano. A leitura faz do leitor uma pessoa crítica, mentalmente ativa, aberta à novidades, destemida e menos preconceituosa. A cada livro que lemos nos deparamos com um universo vivo. Cada personagem carrega uma bagagem complexa que nada mais é do que as variações psicológicas do próprio autor que deu vida à obra. Todo escritor sofre de personalidade múltipla. É um pouco esquizofrênico, contraditório e deliciosamente humano.


A fala é o maior ato de comunicação que existe. Negar a fala é o pior dos castigos que podemos impor ao outro. Quando estamos decepcionados com alguém e bloqueamos o contato, o fazemos por meio do silêncio. O ato de não falar é tão ou mais doloroso do que o ato de ofender ou surrar. Para um escritor que tem na fala seu principal insrumento de vida, o silêncio pode ser mais ofensivo do que um xingamento. Portanto, para quem vive da palavra, o silêncio pode ser mortal.


O escritor pertence a um clube de indíviduos estranhos. Temos tendência à solidão pela própria natureza do ofício. Quando escrevo estou fisicamente só, mas há comigo um coro monumental de vozes reverberando dentro da minha cabeça. Somos solitários, difíceis de lidar, geniosos, intolerantes e críticos ao extremo. Mas também temos qualidades interessantes e nobres como a capacidade de compreender os erros humanos e a facilidade de transitar pelo mundo sem grandes problemas, uma vez que compreendemos a essência profunda da raça humana e sabemos que as diferenças culturais são apenas ilusões criadas pela construção de fronteiras territoriais.


O maior tesouro oculto no ato de ler e escrever é o atalho que nos permite encontrar um caminho diferente para a solução de nossos conflitos. Todas as vezes que algo me angustia, encontro na leitura um paralelo com meu próprio sofrimento e recebo conselhos de mestres que se imortalizaram por meio da palavra escrita.


Ainda sou uma autora desconhecida, e nada garante que algum dia estarei compartilhando o rol da fama junto aos meus ídolos literários, mesmo assim, fico sempre surpresa quando percebo que minhas palavras causam impacto a diversos leitores que não conheço. Neste último mês de janeiro o blog teve mais de mil e duzentos acessos o que me deixa aflita e motivada ao mesmo tempo. Eu percebo que os textos que mais tocam as pessoas estão ligados aos problemas de relacionamentos pessoais. Toda vez que posto algo sobre as dificuldades dos relacionamentos, recebo e-mails e contato de leitores que também desejam trocar experiência sobre o assunto.


Pois minha dica para estes leitores é a seguinte: leiam. Leiam muito, leiam de tudo, criem uma biblioteca particular na casa de vocês, porque vão encontrar nos livros apoio para lidarem com todo tipo de problema e adversidade.


O escritor é um homem ou mulher comum, que passa pelos mesmos problemas que nós passamos, que tem as mesmas dúvidas e perguntas que temos, mas que se dispõe a sentar e compartilhar tudo isso conosco por meio da palavra escrita. Os livros são verdadeiros manuais para a vida que nos ajudam a ter mais conhecimentos sobre tudo e principalmente, sobre nós mesmos e o mundo em que vivemos.


Gostaria de agradecer aos meus leitores pelo sucesso deste blog e os convido a dedicarem mais tempo de suas vidas à atividade da leitura. Vou preparar um texto com dicas de leituras baseado nos meus livros preferidos e que mais transformaram a minha essência.


Lembrem-se: a vida é uma montanha-russa cheia de altos e baixos e testes para avaliar nossa capacidade de vencer obstáculos. Mas há manuais que nos ajudam a facilitar o processo, e eles estão nas livrarias. Boa leitura!

2 comentários:

Cláudia Martins disse...

Esse eu vou guardar para quando vc ficar famosa com notoriedade global. Bjs.

Tamara Ramos disse...

Que bom! Porque artista é tudo relapso com arquivos! Obrigada. :))