sábado, 25 de fevereiro de 2012

MEU UNIVERSO PESSOAL: INSPIRAÇÃO & INFLUÊNCIAS


















"Inspiração não é uma questão de, eventualmente, acordar-se com ela.

A Inspiração é uma questão de, noite após noite,

ano após ano, não dormir por conta dela."




Sou uma mistura daquilo tudo o que vi. Meu DNA é feito de matéria artística. Personagens geniais que encontrei nos livros, autores que habitam minha estante, músicas da minha trilha sonora particular, peças de teatro, palavras de poeta português, dança russa do Bolshoi, Shakeaspeare, Cervantes, Sófocles e Aristóteles.


Minha inspiração vem da arte espanhola, dos dramas intensos de Almodóvar, dos artistas de rua, das cores de Picasso, da irreverência de Dalí, da poesia lírica de Bob Dylan, das viagens que arrisquei, do passeio pelo mundo.


Encontro motivação numa pilha de biografias, nas matérias dos jornais, nos talk shows americanos, na esquina da minha rua, dos e-mails que recebo. Motivação é coragem para transferir para o papel o que pulsa na cabeça.


Todas as impressões que me chegam são absorvidas com alegria. Um mar de possibilidades infinitas, um tudo ao mesmo tempo desordenado e limpo. O caos das telas de Miró, o conflito urbano, o olá e o adeus de fracos amores, o fim da tarde e o raiar do dia.


Ainda leio Dom Quixote com admiração e espanto. Quatrocentos anos de distância não impediram Cervantes de visitar a minha casa. Os problemas de quem está à frente do seu tempo ainda são nossos problemas. Leio e releio Shakeaspeare, vivo e aprendo com ele.


Aprendo com a arte dos outros, aprendo com os dramas e as comédias humanas. Sejam russas, inglesas, brasileiras, espanholas, norueguesas ou portuguesas. Aprendo com a arte do mundo. E misturando tudo com uma tinta multicolorida, dou vasão à minha arte.


Sofrimento é massa corrida para tapar buraco em textos maiores. Sofro como quem acorda tarde e descobre que perdeu a hora. Mas após um banho rápido e uma corrida de taxi, chego sorrindo ao destino. E o sofrimento fica na parede da obra fechando o buraco de algumas palavras.


Às vezes levanto de manhã e penso em pular o dia. Mas minha cabeça repleta de ideias impulsionam o meu levantar. Quem olha de fora não entende muito. Mesmo parada estou em movimento criativo. E ando de lá pra cá e de cá pra lá no vai e vem do meu pensamento. Não gosto de pensar muito no que passou. Porque o que passou se foi sozinho. E nem sempre adianta pedir o que passou para voltar. E também se voltar não vai voltar exatamente do jeito que foi. E você pode não gostar do passado que vem lá voltando.


Todos os dias sonho com uma montanha de dinheiro infinito. Queria ter muito para não ter que escolher o que posso comprar. Queria entrar na maior livraria da cidade com os bolsos cheios e um caminhão estacionado do lado de fora para transportar as ideias novas que desejo levar.


Mas aí abro os olhos e percebo que já tenho muito. E releio livros antigos como se fossem novos. Talvez este seja o único passado que me alegra quando volta.


J K Rowling deu vida ao Harry Potter na cidade do Porto. Portugal me deu senhorita BLOOM e inspiração para outras histórias. Fiz um pedido no santuário de Fátima e outro na catedral de Compostela, mas como não sou muito familiarizada com a agenda dos santos, não sei se há data certa para a benção de minhas andanças. Ainda espero por dois milagres. E esta espera por milagre também me motiva a prosseguir minha busca.


Sou tantas que me perco no tumulto de tudo o que sou. Sou vermelha e amarela e verde e tenho todas as cores misturadas em mim. Vou vivendo assim de equilibrar em arco-íris até que o horizonte desça.


Não sei nada sobre as escolhas alheias, mas minhas decisões são tomadas com a ajuda da arte. E quando vacilo num beco sem saída ouço Willie Nelson bem alto e percebo que eu também can't wait to get on the road again. E aí penso em todas as estradas que não conheço e uma coceira súbita na mão esquerda me faz desejar descer as malas.


Aceito qualquer coisa que venha, mas não me submeto à mediocridade. E não gosto de repetir erros estúpidos que paralisam meu talento. Medo não é palavra conhecida no meu dicionário. Vai ver alguém arrancou esta página antes de me entregar o livro.


E assim de erro em acerto vou afinando meu passo. E todos os dias haverá uma folha em branco diante dos olhos e ao alcance das minhas palavras. O que sei eu? Ora, não sei nada! E é por isso que caminho, pois é na minha caminhada que aprendo um pouco mais sobre tudo aquilo que não sei. E sinto que nesta estrada não estarei sozinha. E acho que todos os artistas caminham pelo mesmo motivo que eu.

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