quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

AS MENSAGENS DOS CONTOS DE FADA




"É bom ter muitas personas, colecioná-las, costurar algumas, recolhê-las à medida que avançamos na vida. Quando vamos envelhecendo cada vez mais, com uma coleção dessas à nossa disposição, descobrimos que podemos ser qualquer coisa, a qualquer hora que desejemos."

Clarissa Pinkola Estes (especialista em interpretação de contos de fada)


Por que somos tão atraídos pelos contos de fada? Por que será que ainda hoje nos encantamos com a história da Bela Adormecida, Cinderela, Rapunzel e tantos outros contos supostamente adequados às crianças?


Marie Louise Von Franz é uma de minhas autoras preferidas e o tema de suas obras refere-se aos símbolos universais embutidos nos contos de fadas. Para ela, existe um ideal arquetípico comum a todas estas histórias que fala mais alto ao nosso inconsciente. Aspiramos pela paz, pelo "felizes para sempre", pela punição do vilão e a recompensa do mocinho. Sempre há uma identificação imediata com um ou mais personagens e quando damos por nós, estamos capturados pela aventura e torcendo intensamente pelo final feliz.


Mas quando começamos a estudar os contos de fada em sua base, lendo os textos originais, descobrimos que o final feliz foi algo incluído posteriormente. As histórias originais são repletas de finais infelizes, desfechos macabros e sofrimentos. Nem sempre o bom moço é recompensado ou um grande amor se realiza.


No conto original da Pequena Sereia, por exemplo, mesmo depois de todo esforço (abdicou de ser sereia e aprendeu andar com pernas humanas que lhe doíam como facas), foi abandonada pelo príncipe e morreu. Aparentemente, tudo o que Ariel fez pelo príncipe não lhe valeu de nada. Ele acabou se casando com outra jovem que lhe pareceu mais conveniente ou apropriada.


Na Chapeuzinho Vermelho também temos outra tragédia. O lobo comeu a chapeuzinho e pronto. Acabou a história. Não há caçador e nem vovozinha para salvá-la. A moral da história é para não sermos tão ingênuos.


Vejo nos contos de fada um paradoxo com as tragédias gregas. A diferença é que na Grécia as histórias tratavam dos problemas humanos sem disfarces e sem o auxílio de duendes e outros animais mágicos. As pessoas eram representadas em todo o esplendor de sua maldade ou bondade. Na verdade, como os gregos compreendiam os paradoxos da humanidade, nem todo mundo era 100% bom ou 100% mau. Nas tragédias gregas é natural começarmos a história do lado do vilão e só depois compreendermos a motivação do mocinho e vice-versa. Este paradoxo central é comum em todas as histórias modernas. Toda a história tem mesmo dois lados...


Mas voltando ao tema, por que estamos sempre em busca do ideal apresentado pelos contos de fada? Mesmo sabendo que a realidade não compete com a fantasia, queremos sempre o resultado mágico.


Para Marie Von Franz, os contos de fada estão carregados de anseios ancestrais e reflete o inconsciente coletivo do mundo. Segundo a autora devemos perceber a dualidade das histórias para não julgarmos os fatos de forma ingênua e incorreta. Aquele que à primeira vista parece ser o herói, geralmente carrega impulsos infantis que devem ser combatidos com a maturidade. O estudo dos contos de fada é também o estudo de nosso aspecto mais infantil, mas ainda vivo dentro de nós.


Quando começamos a compreender a mensagem oculta por trás desses símbolos ficamos mais fortes, mais conscientes, mais atentos às nossas escolhas e pré-julgamentos.


Quanto mais lemos, mais descobrimos quem somos em meio a este caleidoscópio social. O estudo dos contos de fada pode nos ajudar no processo de individuação pessoal, ou seja, na descoberta de quem se é.


É necessário que o leitor abra mão de todos os preconceitos para iniciar este estudo. Os contos de fadas, no início e até o século XVII, não eram destinados às crianças. Estas histórias eram destinadas a entreter os adultos e revela muito da nossa sociedade a cada nova abordagem.


Para quem não conhece os estudos psicanalíticos por meio dos contos de fada sugiro que leiam os seguintes livros:


1) Mulheres que correm com lobos, de Clarissa Pinkola Estes;

2) O feminino nos contos de fadas, de Marie Louise Von Franz;

3) A sombra e o mal nos contos de fada, de Marie Louise Von Franz;

4) A individuação nos contos de fada, de marie Louise Von Franz.


Todos estes livros podem ser adquiridos no site da estante virtual.

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