terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O JULGAMENTO DE PÁRIS (AS CONSEQUÊNCIAS DA ESCOLHA)



De acordo com o mito grego, a Guerra de Tróia viria a ser causada por um simples evento, normalmente chamado "O Julgamento de Páris ".

Apesar de terem sido muitos os convidados para um banquete em que se celebrava o casamento de Peleu e Tétis , Éris , deusa da discórdia, não foi uma das divindades convidadas. Irritada, a deusa enviou ao evento um maçã de ouro, na qual se podia ler a inscrição "Para a mais bela".

Três deusas - Hera, Atena e Afrodite - responderam a esse desafio.
Zeus, incapaz de escolher uma vencedora, atribuiu tal honra a Páris , um mortal cujos dotes já estavam comprovados. Aparecendo a este herói, cada uma das deusas tentou atribuir um suborno a Páris : Hera dar-lhe-ia o trono da Ásia e Europa, Atena torná-lo-ia mais sábio e Afrodite dar-lhe-ia o amor da mais bela mulher, caso ele escolhesse cada uma delas para vencedora.

Talvez movido pela luxúria, Páris deu a maçã a Afrodite, o que gerou a Guerra de Tróia, pois a mulher mais bela que havia era uma mulher casada, Helena, esposa de Menelau.

Esta é uma versão famosa da mitologia grega, uma lenda tão antiga que mal dá para situá-la com exatidão no cenário histórico. Porém seu tema é assustadoramente atual. O que prova que o homem vem sofrendo há milhares de anos com os mesmos problemas.

Precisamos fazer escolhas a todo momento. Manter-se num emprego medíocre ou arriscar a vida e o bolso num projeto ousado? Insistir num casamento que não mais atende nossas demandas emocionais ou abrir-se para o novo iniciando uma nova história? Dar novas chances a quem já traiu nossa confiança ou afastar esta pessoa de vez de nosso círculo íntimo? Gastar todo dinheiro acumulado na viagem dos sonhos ou trocar de carro?

Os questionamentos são inúmeros e suas variações infinitas. O grande problema intrínseco à escolha é que quando decidimos por algo, infalivelmente, perdemos alguma outra coisa. Uma escolha sempre implica numa perda. Não há como fugir.

Escolher permanecer num casamento falido, implica na perda da liberdade pessoal. Escolher arriscar tudo por um novo amor, implica na perda da estrutura familiar. Escolher mudar de país, gera a perda de inúmeras facilidades. Mas escolher permanecer no país, implica na perda de uma fantástica oportunidade de crescimento.

O que mais nos assusta também é o que mais nos atrai. Somos feitos de paradoxos do início ao fim. Quando Páris opta por Afrodite ele não o faz com a razão. Na verdade, o fascínio em possuir algo extraordinariamente belo - como Helena (a Gisele Bundchen da antiguidade) -, suspende por um instante sua clareza de pensamento.

Na maioria das vezes são estes impulsos instintivos que nos empurram para certas escolhas. O tempo é absolutamente relativo no momento da tomada de decisão. Às vezes fazemos escolhas radicais em questões de minutos e acabamos pagando caro pelo nosso afobamento. Outras vezes levamos exatamente o mesmo tempo para tomarmos a decisão correta.

Não importa se a sua decisão está certa ou errada, se vai gerar satisfação ou tristeza, o importante é que devemos sempre fazer uma escolha.

Não sei porque a vida funciona desta forma, mas o que venho aprendendo é que sempre que optamos em mantermos uma condição dúbia, somos pegos de surpresa e a tragédia recai sobre nós com a força de um trovão.

Não dá para ter tudo. Páris podia ter escolhido a sabedoria de Atena e, por meio dela, poderia ter conquistado facilmente o amor de uma bela mulher. Poderia também ter optado pelo poder de Hera o que lhe daria condições de ter o mundo aos seus pés. Mas Páris era homem, e os homens não resistem ao charme de uma bela mulher.

A escolha pela oferta de Afrodite custou não apenas a sua vida como a de toda sua nação. Um erro de cálculo estúpido que gerou sua própria destruição. Mas era necessário que se fizesse uma escolha. Não dava para optar pelas três mulheres.

E também não sabemos qual seria a consequência das outras escolhas. Páris era um jovem imaturo e o poder poderia ser desastroso para ele. Atena queria lhe dar sabedoria, mas que homem pode ser verdadeiramente sábio aos vinte anos? Qualquer uma das escolhas poderia ser nefasta.

Ainda assim, era urgente que se tomasse partido. Na vida real não é diferente. Se meu leitor estiver neste momento necessitando fazer uma escolha, pois que ele ouça o seu coração.

Não dá para prever as consequências exatas geradas pela opção feita. Mas é melhor tomar uma decisão ruim, do que não tomar nenhuma. Porque todo erro pode ser consertado e todo fracasso pode ser superado.

Mas a fraqueza causada pela paralisação é muito prejudicial. Assumir com coragem uma posição, qualquer que seja ela, é dez vezes melhor do que não assumir nenhuma. Portanto, feche os olhos, prenda a respiração e mergulhe. Quando voltar à superfície veremos se estará no caminho certo.

E se não estiver, não tem problema, sempre há tempo para retornar e escolher de novo. E devemos escolher quantas vezes forem necessárias até encontrarmos a nossa verdade, aquilo que nos faz verdadeiramente felizes.




1 comentários:

Tarcísio França disse...

Engraçado que Páris não estava mais no foco. Qual delas era a mais bonita ficou pra trás quando apareceram três ofertas tentadoras. As vezes é isso que acontece também. Ficamos tão concentrados nos pros e contras que esquecemos da centelha inicial. Pobre Páris, pobres de nós... rs..