sábado, 2 de fevereiro de 2008

CONSTANTE

Passos largos cruzando vidas,
nenhum oceano profundo demais,
nada que impeça o pensamento de vagar,
percorrendo estepes frias,
correndo atrás de crianças sem pais,
caminhando e hesitando no limiar da noite.
Ainda é sol.
Ainda meus ombros queimam.
Tantas cores a desenhar extensas impressões,
calculo mal,
me atraso,
nunca estou lá na hora precisa.
O trauma do sonhador é sonhar demais
perdendo a hora e o compromisso inadiável.
Não me calo.
Falo, e falo e falo
a quem quiser ouvir,
que escute os versos frios.
Sou acusada de inexatidão...
Pois não? O que lhe agradaria?
Algo plausível?
O exército em marcha composta?
Não, lamento;
não consigo manter-me em linha reta,
a precisão me abandonou no extremo espaço vazio,
nada preencheu meu peito corado.
Vago, e vago e vago,
Fui e ainda sou aquele que aqui mora;
nada demais a ver na estante repleta de livros distintos;
se não cuida do intelecto não encontrará distração nos meus aposentos.
A corrente de ar seco paralisou os pássaros,
agora eles descansam.
Vejo tudo da janela, mas não ouso a rua,
estou nua,
não posso expor-me.
Penso que um dia alguém lerá algo sobre mim
e não me orgulho.
Fui só um sonhador
entediado da vida
e cheio de expectativas de fuga.