sábado, 23 de fevereiro de 2008

ATÉ O AMANHECER

Até o amanhecer vou contar toda a verdade,
perder o medo da ocasião e do acaso,
varrer a poeira e o mofo da mesa,
guardar segredos aos ouvidos surdos.

Até o amanhecer vou permanecer do avesso,
sonhar outro sonho mais simples,
escrever frases mais curtas,
trabalhar a ilusão e a pureza.

Até o amanhecer vou forjar novo traço,
algo que se compreenda,
nada que aflija,
nada que adoeça.

Até o amanhecer não mais estarei só,
vou tolerar gente comum,
deixar pegadas na eterna praia,
que de sol em sol nunca se ausenta.

Até o amanhecer o poeta criará novas asas,
e flutuará sobre a ponte que divide as palavras,
a intenção,
e a calmaria da insensatez.