quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

E EU QUE ERA TUDO OU NADA...

Reconheço que muitas horas do meu dia escapam ao presente. Sou capaz de me perder em devaneios frívolos buscando a estética de alguma palavra ou caindo de amores aos pés de uma frase inédita que a mim se apresenta. É cada vez mais difícil manter a concentração em algo que se supõe sério.

Não creio ser senhora dos meus textos. Na maioria das vezes busco a folha em branco com o intuito de extravasar em verso alguma forma de alegria interna, mas isso nunca se manifesta em poesia. Quando dei por mim, já revelei entranhas.

Penso que o poeta vive duas vidas simultâneas que jamais se cruzam. Talvez a poesia tenha o dom de revelar formas, trazer algo à tona, à superfície.

O pensamento e as cores são guias condutores que se alimentam do eterno espaço vazio, constante potencial de supremo assombro.

Não sobrevivo da minha arte, mas o sonho ainda não acabou.

Quando penso em minha vida percebo que sempre fui tudo ou nada. Jamais me ofereça menos do que pode, pois a mim não interessa. Guarde as migalhas.
É triunfo ou tragédia.

O importante é ter livros à mão e histórias que deixem meus olhos rasos d’água.

Gosto de tudo que me remeta aos ideais do universo literário. Caneta, papel, estante cheia e cheiro de fumo cubano.
Edifico casas aos meus ídolos, mas não raro me sento ao jardim, por motivo de estranha humildade.

Antes era eu quem buscava a poesia, hoje sou dela refém. Pobre daquele que repete versos sem nunca arriscar algo seu. Quem clona não se traduz. A mim, nada mais aborrecido do que gente sem luz própria.

Tenho medo de perder-me na estrada dos excetos.
Desconfio do excesso de virtude e do vício.

E eu que era tudo ou nada ao meio-dia continuo seguindo meu rumo eterno de amor e de sombras. Acredito que o Universo sempre conspira a nosso favor. Acredito em anjos. Acredito que tudo acontece na hora certa. Acredito no poder absoluto de uma sincera oração. Acredito em milagres...

Falo demais, eu sei. Penso demais. Mostro demais.

Mas é sempre tudo ou nada, do contrário, não valeria à pena. Não me interessaria.