O filme é uma homenagem a todas as pessoas apaixonadas pelo universo mágico da leitura!
sábado, 17 de março de 2012
DICA DE ENCANTAMENTO: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
Baseado no premiado curta de animação homônimo, "The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore" é um "app", um dos famosos aplicativos para iPad que mostra que a linha que separa os livros, de animações, e de games está cada vez mais tênue.
"The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore" utiliza as mais variadas formas de animação, como computação gráfica, animação tradicional 2D, além de stop motion e maquetes. Tudo isso aliado a uma original trilha sonora que emociona.
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore" é uma história de pessoas que dedicam suas vidas aos livros e os livros retribuem esse amor. Nela um senhor (Lessmore) é lançado por um furacão em um mundo alternativo governado por livros. Hora em tomadas preto e branco, hora coloridas, certamente nos remete ao mundo de OZ e também ao impacto da passagem do furacão Katrina, elementos que influenciaram Joyce em sua obra.
Eis a versão integral (cerca de 15 minutos) do curta de animação que ganhou o Oscar esse ano, The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore (Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore, nome próprio que contém um trocadilho intraduzível, algo como “Mais é Mais ou Menos”).
Essa declaração de amor ao livro de papel começa com um furacão que arranca as casas de seus alicerces e as palavras das páginas impressas, metáfora óbvia da onda digital. Mudo, o filmete é escrito e codirigido pelo ex-animador da Pixar William Joyce e mistura técnicas (stop-motion, animação computadorizada e desenho) para produzir uma bonita homenagem aos livros físicos.
Embora ameace derrapar aqui e ali (personagens em preto e branco ganham cor ao ter contato com livros, por exemplo), o curta consegue no fim das contas driblar a maior parte dos lugares-comuns associados ao tema. Destaque para o momento em que, na mesa de operação, o velho tomo carcomido em francês tem uma parada cardíaca e só ressuscita quando o Sr. Lessmore começa a… lê-lo!
O filme é uma homenagem a todas as pessoas apaixonadas pelo universo mágico da leitura!
Postado por Tamara Ramos às 09:10 0 comentários
quarta-feira, 7 de março de 2012
AMIZADE SEM CLICHÊS
Esta semana gostaria de convidar meu leitor a refletir sobre um tema que geralmente leva menos mérito do que o amor, mas talvez seja até mais importante do que ele: a amizade.
Há muitos clichês e frases prontas sobre amizade. De modo geral as pessoas acham que amigo é aquele que concorda com tudo, apoia o outro incondicionalmente, fica ao lado do amigo em todos os momentos e fecha os olhos para todas as loucuras, defeitos e escolhas do outro. Dizem que amigos devem perdoar tudo, esquecer tudo, compartilhar tudo, etc.
Se você buscar frases de efeito no google sobre a amizade vai encontrar apenas ideias otimistas e pouco reflexivas. Amigo pode tudo e pronto.
Esta semana esou enfrentando um dilema no terreno da amizade. E assim como compartilho minhas reflexões sobre amor, trabalho, arte, literatura e viagens, acho justo compartilhar também minhas reflexões sobre a amizade.
Para mim a amizade é sim a relação mais bonita e inteira que pode haver entre duas ou mais pessoas. A família você não escolhe, mas os amigos sim, e muitas vezes os amigos escolhidos chegam a ser até mesmo mais importantes do que nossa própria família biológica. Mas será que não há mesmo limites ao que pode ser feito por um amigo? Será que ser amigo é mesmo concordar com tudo incondicionalmente?
O que devemos fazer quando um amigo está enfrentando um problema de alcoolismo, por exemplo? Devemos dar-lhe mais bebidas no ápice da crise de abstinência apenas para que ele se acalme? Isso é benéfico? Ou devemos lutar contra o vício mesmo que isso custe o bem estar da amizade?
O que fazer quando um amigo querido insiste num caminho que é auto-destrutivo para ele? Devemos apoiá-lo incondicionalmente ou devemos resistir e tentar impedi-lo? O que devemos fazer quando percebemos que nosso amigo não confia tanto assim na gente e passa a deixar de compartilhar decisões importantes na sua vida?
O que realmente um amigo deve fazer?
O que fazer quando um amigo passa por mudanças profundas e deixa de ter afinidades conosco? O que fazer quando percebemos que nosso amigo já não compartilha das mesmas ideias, da mesma visão de mundo, dos mesmos princípios? Devemos nos afastar ou devemos ir contra nossa opinião apenas para não magoar aquele amigo?
O que fazer quando nosso amigo encontra um grupo totalmente contrário aos nossos valores? Será que o afastamento é errado? Será que vale a pena continuar discutindo, mesmo quando quando há fortes divergências de opinião, pelo bem da amizade? Devemos abrir mão daquilo que pensamos para preservar uma amizade?
Eu adoro meus amigos. Eles são importantes demais para mim e quero o bem deles acima de tudo. Mas nem sempre é possível comungar de uma situação totalmente contrária àquilo que cremos. Nem sempre é possível apoiar incondicionalmente um amigo quando temos a opinião (pessoal, claro) de que ele está seguindo uma via oposta ao caminho do bem.
Às vezes estes amigos não compeendem nossa posição. Ficam perplexos diante de nossa retirada ou de nossa atitude de reprovação e não entendem que nossa recusa em ajudá-los é a maior prova de amizade que lhes poderíamos dar. Porque amigo não é aquele que concorda com tudo cegamente, amigo é aquele que quer acima de tudo o seu bem.
É claro que as pessoas tem o seu livre arbítrio e podem escolher o caminho que acharem melhor. É evidente que devemos respeitar as escolhas dos outros e deixá-los à vontade para cometerem erros ou acertos. Sabemos que todos devem viver suas experiências porque é por meio delas que crescemos e nos enriquecemos como pessoas. Mas devemos estar atentos às consequências das coisas.
Amigo é aquele que zela pelo outro, que puxa a orelha de vez em quando, que discorda quando necessário, que ajuda, que quer o bem do outro, que inspira o amigo a seguir o caminho da felicidade. Nem que para isso ele seja mal interpretado, julgado e condenado.
Amigo de verdade não oferece cachaça para quem não pode beber. Amigo de verdade não compra arma pro amigo que tem tendências suicidas. Amigo de verdade não se faz de cego quando vê o outro beirando o prepício. Nem que para isso tenha que colocar em risco a própria amizade.
Postado por Tamara Ramos às 12:00 2 comentários
segunda-feira, 5 de março de 2012
AQUI VOU EU NOVAMENTE (HERE I GO AGAIN)
Esta música pertence ao meu repertório pessoal há anos. Traz lembranças da minha adolescência rebelde, dos meus vícios, erros e acertos, das minhas viagens e, principlamente, me dá forças quando me lembro quão solitário é o caminho que escolhi. Quando estou imersa no processo de criação, a música é um elemento essencial porque me ajuda a cruzar a fronteira entre a realidade e a ficção. É como dar um salto mortal numa piscina cheia onde a água atenua a queda. Acho que é este o significado da música para mim: a música é a água que atenua a queda quando dou saltos mortais (o que ocorre o tempo todo...). Here i go again é uma das minhas prediletas e está ecoando na minha cabeça há alguns dias acompanhando o nascimento de mais um novo personagem da minha ficção. Pela letra dá para perceber que o personagem reflete as minhas experiências. Ele também irá percorrer a solitária rua dos sonhos. O mesmo caminho perseguido sem tréguas por sua autora. E aqui vou eu novamente, going down the only road i've ever known...
Postado por Tamara Ramos às 09:33 0 comentários
sexta-feira, 2 de março de 2012
SUSAN DIRGHAM E O UNIVERSO FEMININO DA SÍRIA: SOMOS TODOS IGUAIS

Susam Dirgham é uma fotógrafa e professora australiana que ensina inglês na cidade de Damasco e publica suas belíssimas fotos na internet com o intuito de aproximar o Oriente do Ocidente ou ao menos, tenta diminuir a distância entre estes dois mundos tão diferentes por meio de intercâmbio de informações e de sua proximidade com o mundo de lá.
A internet é uma grande nave que nos dá acesso ao mundo inteiro e foi navegando pela rede que a conheci. Trocamos alguns e-mails e estou sempre acompanhando o seu trabalho. Hoje de manhã Susan me enviou algumas fotos novas feitas em sua última viagem e fico sempre tão encantada com o trabalho dela que resolvi compartilhar com meu leitor.
Todos os dias lemos notícias horripilantes vindas da Síria e quase não acreditamos quando fotos de confraternização e paz chegam daqueles lados. Mas é esta Síria moderna, cheia de mulheres lindas, cultas, inteligentes e ambiciosas que estão na mira da câmera de Susan e é na igualdade de nossa condição que ela acredita.
Susan entrevista várias mulheres jovens do Oriente Médio e o discurso delas nos deixam envergonhados diante de nossa própria ignorância. A Síria é um dos países que mais desejo conhecer e por este motivo acabei me aproximando de Susan. Assim como ela também acredito que nossas diferenças limitam-se às nossas roupagens, hábitos alimentares, culturais e crenças religiosas. Mas o que há de mais essencial no ser humano é comum a todas as culturas e a todas as raças do mundo.
Gostaria de convidar o meu leitor a fazer uma viagem rápida ao Oriente Médio sem sair da cadeira. Espero que se encantem com o trabalho de Susan da mesma forma que eu me encantei.
Acessem os links abaixo e desarmem-se de todos os preconceitos. Vale a pena conferir!
Postado por Tamara Ramos às 19:33 0 comentários
quinta-feira, 1 de março de 2012
ENQUANTO ESCREVO....
Todo autor tem uma trilha sonora única escolhida especialmente para aqueles momentos em que partimos da realidade rumo ao mundo da ficção. Compartilho com meu leitor um clipe especial direto da minha lista. Não dá para viajar para outros universos ouvindo o barulho do tráfego, o miado do gato, a televisão da sala, entre outros barulhos que interferem no momento da criação. Minha dica de hoje é Orthodox Celts.
Convido o leitor a embarcar comigo nesta jornada musical. :)
Postado por Tamara Ramos às 09:52 0 comentários
sábado, 25 de fevereiro de 2012
MEU UNIVERSO PESSOAL: INSPIRAÇÃO & INFLUÊNCIAS






A Inspiração é uma questão de, noite após noite,
ano após ano, não dormir por conta dela."
Sou uma mistura daquilo tudo o que vi. Meu DNA é feito de matéria artística. Personagens geniais que encontrei nos livros, autores que habitam minha estante, músicas da minha trilha sonora particular, peças de teatro, palavras de poeta português, dança russa do Bolshoi, Shakeaspeare, Cervantes, Sófocles e Aristóteles.
Minha inspiração vem da arte espanhola, dos dramas intensos de Almodóvar, dos artistas de rua, das cores de Picasso, da irreverência de Dalí, da poesia lírica de Bob Dylan, das viagens que arrisquei, do passeio pelo mundo.
Encontro motivação numa pilha de biografias, nas matérias dos jornais, nos talk shows americanos, na esquina da minha rua, dos e-mails que recebo. Motivação é coragem para transferir para o papel o que pulsa na cabeça.
Todas as impressões que me chegam são absorvidas com alegria. Um mar de possibilidades infinitas, um tudo ao mesmo tempo desordenado e limpo. O caos das telas de Miró, o conflito urbano, o olá e o adeus de fracos amores, o fim da tarde e o raiar do dia.
Ainda leio Dom Quixote com admiração e espanto. Quatrocentos anos de distância não impediram Cervantes de visitar a minha casa. Os problemas de quem está à frente do seu tempo ainda são nossos problemas. Leio e releio Shakeaspeare, vivo e aprendo com ele.
Aprendo com a arte dos outros, aprendo com os dramas e as comédias humanas. Sejam russas, inglesas, brasileiras, espanholas, norueguesas ou portuguesas. Aprendo com a arte do mundo. E misturando tudo com uma tinta multicolorida, dou vasão à minha arte.
Sofrimento é massa corrida para tapar buraco em textos maiores. Sofro como quem acorda tarde e descobre que perdeu a hora. Mas após um banho rápido e uma corrida de taxi, chego sorrindo ao destino. E o sofrimento fica na parede da obra fechando o buraco de algumas palavras.
Às vezes levanto de manhã e penso em pular o dia. Mas minha cabeça repleta de ideias impulsionam o meu levantar. Quem olha de fora não entende muito. Mesmo parada estou em movimento criativo. E ando de lá pra cá e de cá pra lá no vai e vem do meu pensamento. Não gosto de pensar muito no que passou. Porque o que passou se foi sozinho. E nem sempre adianta pedir o que passou para voltar. E também se voltar não vai voltar exatamente do jeito que foi. E você pode não gostar do passado que vem lá voltando.
Todos os dias sonho com uma montanha de dinheiro infinito. Queria ter muito para não ter que escolher o que posso comprar. Queria entrar na maior livraria da cidade com os bolsos cheios e um caminhão estacionado do lado de fora para transportar as ideias novas que desejo levar.
Mas aí abro os olhos e percebo que já tenho muito. E releio livros antigos como se fossem novos. Talvez este seja o único passado que me alegra quando volta.
J K Rowling deu vida ao Harry Potter na cidade do Porto. Portugal me deu senhorita BLOOM e inspiração para outras histórias. Fiz um pedido no santuário de Fátima e outro na catedral de Compostela, mas como não sou muito familiarizada com a agenda dos santos, não sei se há data certa para a benção de minhas andanças. Ainda espero por dois milagres. E esta espera por milagre também me motiva a prosseguir minha busca.
Sou tantas que me perco no tumulto de tudo o que sou. Sou vermelha e amarela e verde e tenho todas as cores misturadas em mim. Vou vivendo assim de equilibrar em arco-íris até que o horizonte desça.
Não sei nada sobre as escolhas alheias, mas minhas decisões são tomadas com a ajuda da arte. E quando vacilo num beco sem saída ouço Willie Nelson bem alto e percebo que eu também can't wait to get on the road again. E aí penso em todas as estradas que não conheço e uma coceira súbita na mão esquerda me faz desejar descer as malas.
Aceito qualquer coisa que venha, mas não me submeto à mediocridade. E não gosto de repetir erros estúpidos que paralisam meu talento. Medo não é palavra conhecida no meu dicionário. Vai ver alguém arrancou esta página antes de me entregar o livro.
E assim de erro em acerto vou afinando meu passo. E todos os dias haverá uma folha em branco diante dos olhos e ao alcance das minhas palavras. O que sei eu? Ora, não sei nada! E é por isso que caminho, pois é na minha caminhada que aprendo um pouco mais sobre tudo aquilo que não sei. E sinto que nesta estrada não estarei sozinha. E acho que todos os artistas caminham pelo mesmo motivo que eu.
Postado por Tamara Ramos às 20:56 0 comentários
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
ONDE ESTÁ A FELICIDADE?
Sou uma aficionada por cinema e tenho sentido muito orgulho ao conferir nossas produções nacionais. Em janeiro assisti ao ótimo "Qualquer Gato Viralata Tem Uma Vida Sexual Melhor do Que a Nossa" e hoje tive o imenso prazer de prestigiar o último filme da dupla Riccelli e Bruna Lombardi chamado "Onde Está a Felicidade?"
Simplesmente imperdível! O filme é uma comédia romântica muito humorada e extremamente bem feita. Tudo no filme encanta: a direção, a fotografia, os diálogos, a atuação dos atores e da Bruna (linda e engraçadíssima), a temática e o desfecho. Adorei!
Teodora (Bruna) é uma mulher casada há onze anos que descobre que o marido tem uma amante virtual. Decepcionada, sentindo-se traída e humilhada, ela faz as malas e segue para Espanha onde decide percorrer o Caminho de Santiago em busca de elevação espiritual. Teodora e dois amigos iniciam uma aventura hilária que faz todo mundo rir do início ao fim. O trio não dá conta de fazer trinta dias de caminhada à pé e passa a perna neles mesmos, criando situações que mais divertem do que fazem pensar.
Bruna Lombardi está imbatível! Linda como sempre e inacreditavelmente talentosa no papel de comediante. O filme todo é uma festa!
O filme não oferece a fórmula da felicidade, é claro, mas dá uma dica importante. A felicidade está na busca. Ela não está nem longe, nem perto, nem tem endereço certo para ser encontrada. Ela é o caminho. No caso deste filme a felicidade parecia estar em Santiago de Compostela, mas este é apenas um dos caminhos. Nossa felicidade está em todos os caminhos que decidimos percorrer com a motivação de encontrá-la.
O importante é não se deixar abalar pelos problemas da vida. O legal é encontrar novas saídas para antigos problemas. É começar de novo, seja de carro, de trem, de avião, à pé, sozinho ou acompanhado. O importante é rir de si mesmo e seguir em frente. É aí que mora a felicidade.
Postado por Tamara Ramos às 20:10 0 comentários
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
(DES)AMOR E ESQUECIMENTO
"Se sou amado, quanto mais amado
mais correspondo ao amor.
Se sou esquecido,
devo esquecer também,
Pois amor é feito espelho:
-tem que ter reflexo."
No exato momento em que escrevo essas linhas, ouço um bolero triste que vem da janela do meu vizinho de baixo. Pelo tom trágico da música, meu vizinho deve estar sofrendo muito. Ou então é apenas um masoquista excêntrico que gosta de reviver o sofrimento. Sei lá, tem de tudo nesse mundo.
Esta semana foi um festival de dor. Parecia a premiação do Oscar dos desesperados. Todo mundo infeliz sendo vítima de insensíveis. O discurso era sempre o mesmo:
- Como ele pôde fazer isso comigo?
- Como ela pôde dizer aquilo?
- Como ele conseguiu mentir tanto?
- Como pode ele ter dito que me amava e agora estar casando com outra assim tão rápido?
- Como pode? Como pode? Como pode?
É evidente que não sou imune a dor, é claro. Mas de alguma forma esquisita e mórbida, consegui desenvolver uma técnica de anti-sofrimento que tem funcionado muito bem. Para começar, tenho certeza absoluta de que o sofrimento é uma escolha pessoal. Gente, se a situação está ruim para o seu lado, NÃO INSISTA!. Saia correndo, fuja para bem longe , desapareça. Por que é tão difícil largar de mão um amor bandido? Vamos lá, alguém me explica?
Tenho olhado ao meu redor e tenho até perdido a fome (o que é sempre ótimo, porque emagrece). O marido de uma amiga surtou e descontou tudo no filho de seis anos. O outro enlouqueceu e fugiu de casa. Um outro optou por continuar um casamento cretino que faz dele o maior corno chifrudo da história. Uma mulher linda, deixou o marido para viver com outrA. Outra amiga culta, bonita e inteligente, largou tudo para correr atrás de um taxista casado. Uma outra prefere ficar presa a um casamento falido por medo de não encontrar mais nada. Sinceramente? É a treva.
Tenho pensado muito sobre esta visão romanceada do amor. Foi na Idade Média ou no Renascimento (já nem sei a data certa) que começamos a unir o amor ao sofrimento. E esta foi a pior das nossas invenções. Casamento antes era apenas um meio de unir patrimônio e poder. Era mesmo um negócio discutido entre parentes para preservar aquilo que a família havia construído. Beijo na boca então...o primeiro apareceu no início do século 19. Antes disso era anti-higiênico beijar na boca porque não havia escova ou pasta de dentes e a boca era suja, fedida e cheia de bactérias. A monogamia também não tinha nenhuma relação com amor, era apenas um meio de preservar bens e garantir o futuro de certa árvore genealógica. Então, porque damos tanta atenção ao recente problema do coração?
Gente, relacionamento só serve se nos faz feliz. Se está dando problemas, se está te prejudicando, se está te tirando o sono e o apetite, é porque você está investindo sua energia na coisa errada.
Precisamos aprender a ver os outros não como uma projeção daquilo que desejamos ou um objeto de posse que seguramos, mas como indivíduos com crenças, valores, nível cultural, inteligência (ou falta dela) e necessidades diferentes das nossas. Se você está preso a alguém que não tem nada a ver com você, está projetando algo irreal sobre o outro. É pura fantaia da sua cabeça.
Mulheres prestem atenção: há homens que são covardes, outros são mulherengos, outros são incapazes de sustentar a si mesmos, outros são cornos e adoram os chifres que possuem, outros são neuróticos, outros são mentirosos, outros tem 3 casamentos falidos nas costas; e quando você detectar algum destes sinais neles, CORRA! Corra sem olhar para trás. Porque eles não vão mudar, não vão se tornar diferentes, não serão bons o suficiente para você.
Homens prestem atenção: Há mulheres que só querem dinheiro e proteção financeira, outras são fúteis ao extremo e só se interessam pelo passeio no shopping, outras tem compulsão em botar chifres na sua cabeça, outras são mães desnaturadas, outras cantam até o seu melhor amigo, outras são dependentes da mamãe, outras não gostam de trabalhar e tem ainda outras que são preguiçosas. Portanto, quando detectarem isso nas mulheres , CORRAM! Largue esta ideia estúpida de que beleza supera a imbecilidade. Não supera. E em pouco tempo você estará infeliz e nem saberá porque. Não adianta nada ser casado com a Barbie e ter que dividi-la com trinta Kens.
Eu escutei tanta barbaridade nestes últimos dias, que este post veio que como um desabafo. Acrediem, eu acredito que um relacionamento possa ser bom. Acredito que há pessoas compatíveis que se completam e que podem viver juntos sem grandes problemas. Mas tem que ser a pessoa certa. Pelo amor de deus, vamos parar de investir tempo e energia na pessoa errada. Isso só vai te desgastar, mais nada.
Dê um basta nos abusos agora mesmo. Vai lá na droga do facebook e bloqueie o homem ou mulher que só te traz problemas. Eles não precisam saber que você está sobrevivendo muito bem sem eles e que até já encontrou um novo namorado. Não é da conta deles. Exclua do msn, skype, e-mail. Elimine essa pessoa da sua vida. Siga para frente. Não caia na besteira de ficar dando segunda, terceira, quinta ou décima oitava chance. Se você foi corno, meu bem, é evidente que será outra vez. Se você foi enganada, minha querida, é óbvio que outras mentiras virão. Previnam-se.
Ao invés disso, botem energia em algum projeto novo, reinvente a si mesmo, faça uma viagem sozinho (é o máximo, eu garanto), leia um livro diferente, saia, dê uma chance para aquele rapaz bonitinho que vive te chamando para sair, leia Reich , faça ginástica, fique linda e esqueça a tragédia que aconteceu na sua vida.
Ainda estamos no segundo mês de 2012, vai? Ainda dá tempo de começar outra vez e ter um ano novo repleto de vitórias. Só depende de você.
Postado por Tamara Ramos às 09:10 4 comentários
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
EU JÁ NÃO QUERIA...
Eu já não queria compromisso com o passado, mas ele propunha um reinício, uma descomplicação desconhecida que passou a agradar meus abraços. Se apresentava assim renovado, de calças claras e um corte de cabelo curto que foi me acalmando. Fui tropeçando no idioma, recordando palavras que não eram minhas, falando por falar. Fui acertando o passo no caminho pela rua, tocando em pontos confusos, desajustando os costumes, olhando mais para frente do que para trás. Nada ali parecia com o modo obscuro de outras paragens, meio claro meio escuro, sombreando o enxergar. Estava evidente que aquilo teria um preço, um deja vu cansado, meio vivo meio morto, mas ainda assim frequente. E a gente foi falando assim da vida, trocando segredos, manipulando ideias que nos convenciam a ficar. Saí pela porta às duas da tarde em busca de um lugar apropriado para desabafar. Nos encontramos a meio caminho, com hora marcada pelo celular. Eu botava os pés dentro da água gelada e desequilibrava o corpo que circulava ao toque do vento. Prestava atenção a um fio descosturado do casaco que lembrava a minha vida. Ele sorriu de volta e calou. Agradeci o silêncio perfeito chegado no exato momento em que que não havia mais nada a dizer. E foi então que comecei a traduzir poemas gregos e notei semelhanças entre as línguas do mundo. Certamente havia problemas de acento e alguns termos urgentes se afugentou. Mas o olhar dizia mais que a língua solta e em poucos minutos nos entendemos melhor. Era um suplício ver os mesmos corpos envelhecidos refletidos no antigo espelho. Um pouco de gordura acumulada pelo sabor de outras viagens. E ali ficamos deitados diante de uma tv pouco inventiva e assistimos juntos a um filme acabado. Eu não queria contar nada sobre meu último ano e por isso sugeri que pedíssemos a janta. Comemos em silêncio literário, mas o coração estava disparando. Então brindamos com os copos de cerveja e prometemos a nós mesmos que não haveria invasões em território alheio. Nossas lembranças, bem trancadas em caixa forte, estariam salvas naquela noite. E depois daquela noite repetimos uma segunda, uma terceira e lá pelo vigésimo quinto dia não restavam mais lembranças. E o sol nasceu sorrindo acomodando as esperanças e caminhamos de mãos dadas até o anoitecer.
Postado por Tamara Ramos às 12:18 0 comentários
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
ANTES DO FIM DO MUNDO
Antes que o mundo se acabe quero passar vinte e cinco dias em Praga. Atenta a uma linguagem estranha, não quero entender o que ninguém diz. Quero perceber o idioma nos gestos, no sorriso, na hora marcada em frente aos quadros de Mucha. Pedir um café curto extremamente preto me fazendo entender apontado o dedo aos cabelos de alguém. Quero revirar o dicionário e me perder na sintaxe estrangeira olhando para o alto enquanto ninguém vê. Antes que o mundo se acabe quero deixar anotada a data do meu aniversário no seu Blackberry oriental. E talvez assim no dia você se lembre de olhar a agenda e ligue mais cedo para mim. E vamos caminhar juntos novamente pela beira da praia e pedir um café preto em nosso idioma para que todo mundo entenda. E aí então vamos falar sobre os últimos três anos que passaram distantes e que agora aqui de volta se fazem presente. O último gole do café vai deixar um amargo no fundo da garganta por causa das três gotas a mais de uísque. Mas depois de dois goles de água gelada os conflitos do contraste sumirão outra vez. E você vai olhar pra mim com aqueles olhos de fundo de oceano e vai dizer que no fundo já sabia o que fez. Antes que o mundo se acabe vamos dar a volta ao mundo com seu cartão de milhas. E vamos assim aos poucos percebendo as cores da vida pintadas na cidade que não são telas de arte, mas até poderiam. E quando o sino da igreja de Bruges reverberar pela cidade sombria estaremos de mãos dadas diante da catedral. E cruzaremos os dedos diante da fronte na esperança de que todos os nossos sonhos renasçam. E uma gaivota branca vai cruzar a cabeça do turista francês e vamos reconhecer o sotaque latino numa expressão de espanto. E vamos juntos saquear as livrarias e aglomerar ideias difícieis de compreender em outra linguagem. Antes que o mundo se acabe vamos entender que é melhor ficar sozinho quando a tarde cai. E vamos desejar ler em voz alta para nós mesmos como se o som da nossa própria voz bastasse. Antes que o mundo se acabe vamos pegar de novo o velho trem que nos levará para casa. E vamos atravessar as cidades sem pressa com as cabeças amarelas pousadas nas janelas. Antes que o mundo se acabe quero passar vinte e cinco dias em Praga. Atenta a uma linguagem estranha, não quero entender o que ninguém diz.
Postado por Tamara Ramos às 10:16 0 comentários
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